6.3.17

Devalli Demons Capítulo 26 por Golden Moon


Capítulo 26

Meu pai estava bem à minha frente, do outro lado. Olhou para o canto, desviou para mim. Fingi que não notei seu espanto, e dirigi meu olhar para Arthur, que permanecia quietinho ao meu lado. Meu irmão ficou bem assustado após os ataques de Gilbert... E ainda tinham aqueles olhos... Aquela íris vermelha. Eu não estava louco, eu vi a mudança. Algo de muito errado acontecia ao meu primo e aquilo me preocupava ao extremo. Senti medo ao vê-lo tão agressivo e sofrendo com febres repentinas e muito fortes.



Lilian já estava à mesa, esbanjando sorrisos, como se nada houvesse acontecido... Eu a observei, junto ao seu marido, no canto esquerdo da grande sala de jantar, fiquei triste com tamanho desdém ao sofrimento do filho. Achava tão estranho os pais agirem daquela maneira, enquanto o menino ardia de febre no quarto.

– William? Will! – disse Jasmim, despertando-me dos meus devaneios – Não vai comer, filho?

Finalmente percebi que todos já se serviam e meu prato esfriava na mesa. Peguei os talheres, sem muita fome, e comecei a comer, devagarinho.

Os convidados começaram, então, a conversar sobre o assunto do meu interesse: O baile. Para minha surpresa, a grande festa realmente aconteceria na próxima semana e tudo já estava encaminhado. Os grandes músicos da pequena cidade foram convocados; bolos e doce foram encomendados na maior confeitaria da cidade; minha tia e minha mãe, junto a outras senhoras, organizariam os aspectos decorativos. Seria à noite, poderia perdurar até a madrugada. Os mais respeitáveis senhores e senhoras estariam nesta festa e alguns senhores de outras cidades seriam convidados.

Todos pareciam muito animados, vi apenas sorrisos e palavras de honra ao meu tio. Ele ganhava toda atenção no jantar e um brilho de vislumbre pairava sobre os olhos de todos. O Sr. Heins, enrolando aquele seu longo bigode preto, até mesmo mencionou Erin, como “nosso herói”.

Não conversei muito durante o jantar. Preferi abster-me daquela conversa, apenas ouvi tudo, muito atento. Respondi algumas perguntas direcionadas a mim, rápido e curto. Não quis prolongar muito os assuntos. Afinal, só me perguntavam sobre namoros e estudos.

O jantar não durou muito tempo. Comi pouco, pois prestava muita atenção no que diziam. Agradeci a todos os deuses existentes por prestarem tanta atenção no meu tio, eu podia observar todos falarem sem ser percebido por ninguém. Notava um fascínio insurgir nos olhos de todos, quando Erin abria a boca pra dizer algo. Sua voz grossa, cheia de um heroísmo forçado, era como um oásis para os velhos carrancudos e as senhoras enxeridas da sociedade de Virginia. Eu não podia ficar mais enojado com toda aquela situação. Mas, meu papel de sobrinho exemplar foi cumprido e parti para a sessão musical lívido como um bom moço deveria ser.

O pianista Grest chegou um pouco mais tarde, curvando-se muito a pedir desculpas. Todos compreenderam sua situação, pois fazia uma apresentação importante na capital, a qual não podia perder. Além do que, foi chamado de ultima hora.

Sua pequena banda chegou um pouco afoita, mas conseguiram montar os instrumentos a tempo de tocar algo para nós. A sala inadequada para danças não foi um problema, pois a maioria dos casais não se dispusera a dançar, preferiram conversar baixinho e aproveitar as canções. Apenas dois casais tomaram um espaço para dança.

Fiquei sentado, com o meu irmão sonolento sobre o meu colo, observando aquela reunião terminar. Não estava tão satisfeito como queria, mas, pelo menos, tinha algumas informações a passar para Dylan. Fiquei observando sr. Miridian e sua esposa tão graciosa a dançarem pela sala.

Ela era uma bela dama em seu vestido branco de linho e Miridian a segurava com muita delicadeza em seus trejeitos. Pareciam ser o casal mais verdadeiro entre aqueles urubus.

De repente, Arthy se remexeu em meu colo. Olhei para seu rostinho e parecia irritado, de tanto sono. Deveríamos ir, ou aquele mocinho começaria a reclamar comigo.

Minha mãe se aproximou de mim, ela sempre percebia quando algo nos incomodava... Agachou-se ajeitando seu vestido e falou com Arthur.

– Soninho, meu bebê? – engrenou aquela vozinha fina e ridícula utilizada para encantar bebês e animais fofinhos, abrindo os braços para que ele se aconchegasse em seu colo macio de mãe.

Arthur partiu para minha mãe sem pestanejar e afundou o rosto no pescoço dela, esfregando os seus olhinhos lindos.

Ela o abraçou, beijou-lhe a testa e, por fim, atentou-se em seu mimo mais velho.

– Por que não chama a Melissa para uma dança, Will?

Eu olhei para Melissa, do outro lado da sala, ainda estava acompanhada de Troy e voltei para minha mãe.

– Ela já tem companhia. Não quero ser indelicado. – encolhi meus braços, eximindo-me de qualquer coisa. Melissa parecia ter me esquecido!

Jasmim entortou a cabeça, em uma visível inocência, e procurou Melissa pelo cômodo. Assim que encontrou, olhou para mim novamente e sua expressão havia mudado completamente: Os olhos estavam arregalados e as bochechas começavam a apresentar manchas vermelhas. Minha mãe parecia uma criança birrenta quando estava irritada e isso me deixava com uma vontade imensa de rir.

– Como deixou isso acontecer, Will? – sussurrou.

– Ele parece mais interessante para ela, mãe.

– Mas era pra você – ela deu uma ênfase inquisitória nesta última palavra – acompanha-la.

Eu me levantei e, no mesmo instante, ela sorriu para mim.

– Não posso fazer nada se Melissa achou que ele fosse um cavalheiro mais elegante. – arrumei meu lenço vermelho – vou ver como está o Gil.

Baguncei o cabelo do meu irmãozinho que já ressonava sobre o colo de Jasmim e saí, rumo ao corredor. Deixando-lhe a me observar, irritada.

Bati na porta do quarto devagarzinho, provavelmente Gilbert estava dormindo. Jenny abriu a porta em uma fresta tão pequena, que quase não visualizei seu rosto.

– Posso ajudar? – murmurou, quase inaudível.

– Posso ver como está Gilbert?

Ela olhou para trás, certificava-se que o garoto estava quietinho e voltou para mim, abrindo a porta devagar.

Eu entrei no quarto, quase me arrastando, com medo de acordar o monstrinho. Encostei-me a cama e agachei. Ele não estava mais vermelho, logo, sua febre já deveria ter ido embora, o que era estranho. Senti a aproximação da babá, como uma coruja que observa o filhote. Ela era mais cuidadosa e atenciosa que a própria Lílian, mãe de Gilbert. Não somente porque ganhava para fazer aquilo, mas podia-se ver o mimo como cuidava de Gilbert.

– Essas febres dele são estranhas... – Disse, baixinho. – Vão e voltam como brincadeira. Ele sempre fica descontrolado antes.

– Começou quando? – Não olhei para trás, enquanto falava. Mantinha meus olhos em Gilbert que dormia como um anjinho bom.

– Faz umas duas semanas que ele está assim. Apresentando febres e essa agressividade que nunca teve.

Eu podia perceber o tom de lamentação em sua voz. Estava preocupada por não saber o que atingia seu garotinho. Fiquei curioso pelo fato de ninguém da minha família saber do que estava acontecendo com Gil. Era extremamente estranho somente hoje minha tia comentar sobre a febre e de modo raso, frio. Comecei a pensar sobre o que aquilo poderia ser e sacudi a cabeça por conta dos pensamentos estranhos que começavam a me invadir. Aquela criança precisava ser protegida.

– Obrigada por se preocupar com ele. – murmurou.

Nesse momento, eu me virei para ela e a observei melhor. Tinha as mãos unidas sobre o colo e a cabeça baixa. Seu coque bem arrumado se destacava na cabeça de cabelos castanhos. Assim que levantou a cabeça, eu sorri, sabendo que meu gesto poderia ajudá-la de alguma forma.

– O Gilbert merece esse cuidado. Obrigado por cuidar bem dele.

Ela sorriu de volta e aproximou-se da beira da cama, olhando o garotinho com ternura.

Afastei-me dos dois, torcendo para que não acontecesse nada de muito grave a Gil. Ele não merecia isso, nem a babá.

Assim que pus meus pés para fora do quarto, meu pai surgiu à minha frente, como um fantasma vestido de preto.

2 comentários:

  1. Nao tem como achar essa febre do Gil estranha... mas nao acho que o will va descobrir sozinho...
    Agora que se prepare para ouvir um raspanete do pai ou assim o acho

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    Respostas
    1. Só pelo fato de sumir e aparecer repentinamente já é estranho... A mãe não está lá muito preocupada, mas Will ainda vai se investigar isso.

      Gostei da expressão "raspanete" hahsua Ele vai ouvir do pai sim
      :/

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