15.3.17

Devalli Demons Capítulo 27 por Golden Moon


Capítulo 27

Meu pai esquadrinhava meu rosto, raivoso. Os olhos claros dele faiscavam de raiva e eu sabia o que estava para me acontecer. Fechei a porta atrás de mim, devagarinho e o encarei. Pronto para rebatê-lo.

– O que houve? – Perguntei, cínico.

Ele estendeu a mão, incisivo. Não havia como me surrar ali. Recuou, empunhando-a, controlando-se. Meu pai apertou os olhos, nervoso.

– E me olha como se nada estivesse acontecendo... – a voz soou grunhindo, como um cão.

– Ah! – estendi a mão, fingindo mal, de propósito – Gilbert está bem.

Dei um passo à frente, mas ele me impediu de continuar, colocando-se à minha frente.



– Você teve uma chance e age dessa forma? – disparou as palavras, tentando intimidar-me como sempre fazia - Que tipo de homem você é, William?

Não segurei o meu riso com sua pergunta. Na verdade, até certo ponto era bom para provocá-lo.

– Sou um homem que segue o que sente pai. E eu não quero a Melissa. – murmurei. Não queria que os convidados ouvissem o nosso embate.

Eu senti a pressão dos seus dedos sobre o meu antebraço e não gritei de dor por conta do local onde estávamos. Os olhos do meu pai não se desgrudavam dos meus nem um instante sequer e eu senti que aquela fúria não seria aplacada facilmente. Porém, eu não deveria me deixar coagir por seu espírito agressivo. Respirei fundo e pus a minha mão sobre a sua, tentei retira-la uma vez, mas sua força, evidentemente, era maior que a minha.

Jasmim surgiu, apressada, trazendo Arthur em seu colo. Olhou o nosso embate, vagueando seu olhar entre eu e meu pai.

– Vamos embora, antes que vocês se matem aqui! – sussurrou.

Meu pai soltou o braço, contra sua vontade e voltou pelo corredor. Transtornado.

– Eu sabia que isso traria problemas para você, Will. – Ela balançou a cabeça, sabia que não poderia evitar o que me aconteceria mais tarde.

Quando cheguei à sala, notei que estavam todos a se despedir.        

Um pouco afetado, cumprimentei a todos. Minha mão tremia em alguns momentos e quase não consegui responder o cumprimento frio do sr. Weissman. Melissa passou por mim e me abraçou, gentilmente. Devolvi o gesto, feliz por ela conseguir se divertir com o Troy, mas por dentro eu tremia por minhas escolhas.

Quando se tratava do meu pai, tudo era mais difícil. Eu consegui desenvolver certa “armadura” contra ele, durante toda a minha adolescência, mas, naquele momento, sua raiva realmente me deixou com medo. O que ele sentia não era reflexo de sua preocupação comigo e meu futuro, mas apenas de uma vaidade direcionadas a si mesmo e aos seus próprios interesses. De certa forma, essa situação me deixava triste também.

Quando entramos na carruagem, em nenhum momento eu consegui direcionar o olhar para os meus pais. Observava compenetrado a lua se esconder atrás das nuvens, pensando em como me defenderia naquela noite. Dessa vez, o clima estava extremamente tenso. Não conversavam animados sobre absolutamente nada. Permaneceram mudos durante todo o trajeto de volta para casa.  Arthur dormia tranquilamente o seu sono, embalado nos braços da minha mãe, alheio a qualquer problema. Quanta inveja eu sentia do meu irmão...

Pensei por um momento que a carta prometida por Dylan hoje mais cedo, deveria estar na janela do meu quarto, correndo o perigo de ser descoberta por algum empregado da casa. Eu deveria ser rápido, antes que meu pai me procurasse para conversar. Torcia para não receber uma surra, mas, dada a personalidade impulsiva do meu pai, provavelmente... Eu sairia ardido desta situação.

Senti meu corpo sacudir sobre o banco da carruagem e, quando olhei para a janela, as árvores da chácara surgiram sob a luz da lua. Estávamos em casa.

Meu pai saiu primeiro, a fim de ajudar Jasmim a sair com Arthy no colo. Esperei, pacientemente, os dois saírem da carruagem e saí. A cabeça erguida e o rosto encarando aquela sala iluminada acima das escadas como se estivesse prestes a enfrentar um animal raivoso – o que, talvez, ele realmente era.  Respirei fundo e andei ...andei sem muita pressa em direção às escadas. Meu pai me observou de rabo de olho quando eu os ultrapassei e cochichou algo a minha mãe, que eu não consegui compreender. Passei pela sala, dei boa noite a todos que lá estavam e entrei no corredor do meu quarto apressado, querendo ver minha carta imediatamente.

Entrei no quarto, tranquei a porta e olhei a janela: Ela estava ali, a salvo.

Percebi o quanto Kuroh foi cuidadoso, colocando a cartinha pela fresta entre a janela e o parapeito, logo, ela estava do lado de dentro. Poderia ser descoberta, mas acredito que os empregados não a esconderiam de propósito.

Eu a abri, revirando o envelope com os meus dedos trêmulos, doido para saber se havia alguma novidade acerca dos ataques. Somando a isso, a minha ansiedade por conta do meu pai.

"Amor, saímos hoje à floresta e estivemos de frente a um Goon. Eles ainda estão por aqui, e estranhamos o fato de permanecerem por tanto tempo no território. Parte da minha família virá para cá. Se alojarão na cidade...

Acho que terá chances de conhecê-los.

Com carinho,

D.D"

Dessa vez, nossa troca de mensagens foi mais arriscada. Das outras vezes, eu estava presente para receber de Kuroh e não havia perigo de alguém encontrar algo.

Sentei sobre a cama, ainda com a carta e o envelope em mãos. Olhei para porta e estranhei o fato dela ainda não estremecer sendo esmurrada por Jim. Aproveitei para guardar a carta em meu local secreto, guardada às chaves. Comecei a me despir, com certa malemolência desconhecida por mim. Talvez a tensão estivesse abatendo o meu corpo aos poucos e eu só queria a cama e me dominar pelo sono. O dia, por um lado, foi ótimo por conta do momento com Dylan e por outro lado, péssimo dada a minha situação à noite.

Assim que tirei toda a roupa de cima, ouvi uma batida fraca na porta.

Não poderia ser meu pai, ele não era calmo desta forma.

– Abre a porta, William. – porém, para a minha surpresa a sua voz grossa soou do lado de fora e eu arregalei os olhos.

Coloquei as peças sobre a cama e me dirigi à porta. Abri sem muita pressa.

O rosto dele não estava vermelho, nem seus olhos. Apresentava apenas a expressão fechada de sempre e seu espirito de homem orgulhoso. Passou por mim sem dizer uma palavra e sentou-se na cama.

– Fecha a porta e sente-se aqui. – disse ríspido.

– Eu não tenho nada a dizer. – respondi defensivo.

– Agora, William. – enlaçou as duas mãos sobre o colo, dizendo as aquelas duas palavras sem olhar em meus olhos.

Obedeci, a contragosto.  Fechei a porta e fui direito à cama, sentando-me a beira.

Neste momento, Jim olhou em meus olhos. O medo que antes me afligia voltou e eu desviei do seu olhar, acuado. Eu sempre enfrentava o meu pai...Pé a pé . Mas diante daquela situação eu não sabia muito bem como proceder.

– O que está acontecendo com você?

– Não aconteceu nada, pai. Eu estou bem.

Suas mãos apertavam-se uma contra a outra e ele passa seu olhar para as suas botas de couro, com indignação. Acredito que Jim não queria continuar a olhar o meu rosto, para não se descontrolar.

– Sim! Até por que alguém de consciência sã rejeitaria a Melissa Weissman duas vezes?! E ainda permite outro rapaz tomar seu lugar?! – disse, seu tom de voz hesitante para não gritar.

Ele virou o rosto para mim, repentinamente, e eu encarei o seu olhar sem desviar em nenhum momento. Deveria sustentar-me, encarando meu próprio medo.

– Eu não gosto da Melissa! – disse, aumentando um pouco o meu tom de voz – Ela já sabe e me compreendeu! Tente aceitar, não é difícil. – terminei essa última frase soltando um sorriso debochado, como se falasse com uma criança birrenta.

Desviou do meu rosto e espiou a janela entreaberta. O vento estava frio naquela noite, e eu começava a me arrepiar.

– Não importa se você não a ama. – disse, sem expressão alguma em seu rosto. Parece que ele sempre preservava seus sentimentos tal qual o clima daquele momento. Frio. Indiferente.

Não importava o que eu sentia. Não importava o que a Melissa sentia.

Para ele, não importa o sentimento de ninguém.

2 comentários:

  1. O pai do Will é que merecia levar um surra.... não importa se o Will gosta da Melissa?
    Um pai deve querer ver os filhos felizes e junto de quem amam, não de quem odeiam
    Vai-se lá entender esse homem

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    Respostas
    1. Ele é vaidoso e ganancioso, o problema de Jim é esse, digo assim... Ver o filho com uma menina rica e, pra ele, "bem educada", é tudo que mais quer... Não interessa se ele a ama ou não.
      Merece uma surra mesmo ahushuahs

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