14.6.17

Devalli Demons Capítulo 41 por Golden Moon


Capítulo 41

Terminamos nossa refeição e meus olhos percorreram a sala, a procura de um relógio. Quando o encontrei, na parede que dava para os corredores que desembocavam no pátio, calculei que tínhamos dez minutos para conhecer um pouco da escola.

– Temos pouco tempo até as últimas aulas. Posso te mostrar o teatro e a biblioteca minúscula aqui embaixo. – levantei, esperando seu ultimato – temos de ser rápidos.

– Tudo bem.


           Philippe seguiu atrás de mim e, enquanto caminhávamos, ele observa os andares da escola como uma criança em um novo e inspirador ambiente. Assim que entramos na biblioteca, ele beliscou alguns livros e acabei descobrindo que gostávamos dos mesmos romances e logo conversávamos sobre nossos personagens e passagens favoritos. Algumas meninas nos interromperam para cumprimentar o novo aluno, mas depois já estávamos conversando novamente. Ele também gostava de escrever nas horas vagas, assim como eu. Tínhamos muito gostos em comum, considerei muito bom ter uma relação legal com o primo de Dylan, somos colegas e sabíamos muito um sobre o outro.

Antes de retornamos à sala de aula, eu vi Melissa e duas de suas grandes amigas se aproximarem com seus sorrisinhos. A poucos metros da sala, elas nos pararam e, sem nenhuma cerimônia, Mandy nos interroga:

– De onde vocês se conheciam? – ela piscou os olhos castanhos, encarando Philippe com um sorriso no rosto.

– Nós vimos que você sorriu para William quando chegou – disse Tess, enquanto Melissa apenas nos observava, enrolando os seus cachos entre os dedos.

Eu observei meu novo colega, e seu rosto não apresentava nenhuma surpresa ou tensão. E eu apenas tentava encontrar alguma desculpa. Porém, ele foi rápido e respondeu:

– Nos conhecemos quando William foi à Geórgia, em um jantar – ele olhou, levantando uma das sobrancelhas, de um jeito sapeca. Cruzou os braços, provavelmente esperando que eu completasse a mentira.

Eu já tinha viajado à Geórgia uma vez... Dois ou três anos atrás. Nem ao menos me lembro o que fui fazer por lá;

– Sim, Philippe me reconheceu quando chegou aqui – dei de ombro, tentando parecer mais relaxado. E acredito que funcionou.

As meninas sorriram e comentaram que foi muito gentil da minha parte apresentar a escola para Philippe. Comecei a desconfiar que as três nos seguiram durante nosso pequeno passeio pela escola. Era típico quando se interessavam por alguém.

Entramos na sala de aula e todos nos observavam curiosos, quer dizer: observavam Philippe. Não tiveram tempo de abordá-lo e eu poderia jurar que coçavam a língua para saber mais sobre a vida dele. Kassy entrou na turma, e eu havia esquecido que ainda tínhamos aula de matemática naquela semana, eu sempre me perguntava pra quê tanta matemática.

A professora sentou-se em sua carteira, arrumou as pastas e o articulou seu “bom dia”. Depois de toda sua cerimônia habitual, olhou bem para minha fileira e pelo seu olhar atento, identificou Philippe.

– Seja Bem vindo, Philippe. Sou professora de matemática, Kassy. Espero que você consiga acompanhar a disciplina.

– Muito obrigado, professora Kassy. – a voz dele parecia mais séria do que o normal... Olhei para trás e Philippe estava de braços cruzados. O caderno cheio de cálculos sobre a sua mesinha chamou a minha atenção. Talvez ele não tivesse tanta dificuldade assim.

Nesse dia, Kassy pediu para que fizéssemos duplas a fim de que realizar uma atividade. Provavelmente valia alguma pontuação, mas ela nunca nos avisava. A sala foi tomada pelo movimento de cadeira para todos os lados, cada um buscando sua dupla. Antes que eu pudesse perguntar, Philippe estava ao meu lado, junto a sua carteira. Eu olhei para ele e levantei as mãos sobre o tronco, como uma rendição.

Assim que se sentou, disse,

– Pode ter certeza de que não vai se arrepender. – piscou para mim, confiante demais para meu gosto.

Quando todos se arrumaram, Kassy levantou e começou a entregar as atividades. Como estávamos na frente, fomos uns dos primeiros a receber. Eu observei a folha, apreensivo, sem saber como responderia aquilo tudo. Sinceramente, a ideia de misturar números e letras sempre foi péssima. Philippe espiou por cima dos meus ombros e pediu a folha, educado.

Ele pegou o rascunho e começou a rabiscar alguma coisa que eu não entendia. Sem querer ficar pra trás, murmurei

– Deixa eu pegar uma questão.

Philippe não virou para mim e continuou concentrado em seus cálculos.

– Fica tranquilo, termino em um instante.

– Se eu não fizer absolutamente nada, a professora vai reclamar comigo – cochichei perto do seu rosto, e ele se virou para mim, e olhou para o caderno acima da mesa.

– Rabisca qualquer coisa no caderno, estamos respondendo. – piscou novamente e eu suspirei, dando-me por vencido. Não queria parecer que estava me aproveitando dos conhecimentos de Philippe, mas fiz o que ele indicou.

Alguns minutos depois ele me entregou a folha com todas as questões respondidas e eu me preparei para passar a limpo. Depois de pronto, entregamos a professora. Pela expressão surpresa dela, éramos os primeiros a entregar.

Como sempre, ela já tinha as questões respondidas e corrigiu a nossa atividade rapidamente. Ela olhou nossa atividade por alguns instantes e entortou a boca, parecia desconfiada com o resultado. Eu olhei para Philippe e ele observava a professora com a cabeça apoiada sobre a palma da mão, piscava os olhos frequentemente. Parecia uma criança sonhadora.

– Já que os dois terminaram a atividade com tanta rapidez, podem dar uma volta pelo corredor. Chamarei quando todos terminarem. – disse Kassy com mais rispidez do que o normal.

Levantamo-nos e saímos da sala. Provavelmente não queria que nós dois passássemos cola para os outros colegas. Como o corredor de salas estava vazio, encostamos na grade de ferro, observando o pátio lá embaixo. Não havia uma sombra de aluno, apenas o guarda rondava pelos corredores do térreo.

– Acho que sua professora não gostou muito de mim. – Philippe ainda encarava o pátio e sua expressão estava neutra,

– Daqui a pouco ela se acostuma a você. – olhei para ponto onde ele encarava – Obrigada por responder a atividade.

Subitamente ele levantou a cabeça e sorriu para mim.

– Por nada. A matemática é necessária para o que eu quero estudar. E eu gosto também. – ele deu de ombros e eu fiquei curioso para saber do que se tratava.

– O que você quer fazer? – perguntei, sem pestanejar.

– Astronomia. Quero estudar as estrelas... Os planetas.. – ele observou o céu azulado, piscando os olhos, apaixonado – E você?

– Eu ainda não sei...  – voltei o olhar para baixo... Um pouco envergonhado em ainda não ter decidido o que fazer. Nunca tive uma grande paixão por determinado assunto. Gostava de filosofia, literatura... Mas nada além de hobbie.

Acredito que ele percebeu meu desconforto e se virou para a porta da sala, onde dois alunos saíram, indo para a direção oposta a nossa.

– Eu não quero me envolver muito em questões da família, deixo isso para o Louis. – Philippe se fechou por um instante, e jogou seus cabelos para trás com uma das mãos. – A universidade vai me deixar fora disso.

Depois de ver o Dylan chorar ontem, eu percebi o quanto deveria ser difícil lidar com aquela situação. Philippe parecia não gostar de ser um Devalli, mas teve a sorte de poder se camuflar...  Dylan foi rechaçado por toda uma cidade. Mas... Por que não a família dele não foi embora? Por que não tentaram em outra região? Era estranho ele ter de passar por esse sofrimento sem tentar fugir.

– Philippe?

– Sim? – seus olhos ficaram atentos em mim, como um cãozinho que aguardava uma ordem.

– Posso te perguntar uma coisa?

– De novo isso? – ele riu novamente e eu sabia que o sangue transbordava por meu rosto – Claro que pode.

– Por que a família dele não foi embora? – murmurei, abaixando minha voz – Por que continuaram aqui, mesmo expostos?

Ele cruzou os braços e um sorriso se insinuava no rosto.

– Isso você saberá com Elizabeth hoje à tarde. Ela pode não te falar diretamente... Mas você vai entender.

Demoramos mais algum tempo fora da sala. Mudamos de assunto para não prolongar aquela conversa no corredor, poderia ser perigoso. Antes de entrarmos, alguns projetos de urubus abordaram Philippe, mas o rapaz respondeu suas perguntas de forma tão ácida que a conversa não se demorou muito. Eu ficava calado, vendo Philippe “driblar” os garotos e uma vontade imensa de rir me invadia. Percebi que ele também não gostava daqueles tipos.

A aula passou rápida e Kassy não deu uma palavra sobre as atividades. Confesso que quase dormi com a explicação dos novos assuntos, enquanto Philippe permanecia atento e muito participativo da aula. Ele fazia perguntas, respondia as questões sempre que a professora nos interpelava. Realmente, era muito dedicado ao seu futuro.

Percebi que Kassy fazia-se de rígida com ele, talvez para Philippe não despertar inveja ou aversão dos outros. O que era impossível.  Aqueles alunos não suportavam quando alguém se destacava, mesmo que este não perceba.

Assim que a aula terminou, não demorou muito para que Louis chegasse em uma carruagem luxuosa. Era preta e parecia-se muito àquela que vi no dia anterior, à caminho de casa. A moça de cabelos cacheados e bonitos apareceu em minha mente... Seu olhar penetrante dava-me arrepios.

Entramos e Louis cumprimentou o irmão com um beijo na testa e a mim, um aperto de mão. Ele parecia ser cuidadoso com Philippe, um irmão dedicado.

Assim que a carruagem começou seu percurso, Louis se adiantou a perguntar:

– Como foi seu primeiro dia?

– Bem... Eu diria. – deu de ombros – William me ajudou bastante.

Eu sorri, balançando a cabeça. Na verdade, quem tinha me feito favores foi ele.

– Quem respondeu a atividade de matemática foi você. Eu seria um desastre.

– Já começou a se exibir, Philippe? – Louis observava o irmão com certo brilho nos olhos, como se estivesse orgulhoso do conhecimento dele. Sorria, mas não daquele modo sarcástico de sempre.

Conversamos um pouco sobre os acontecimentos na escola e em nenhum momento eu parecia estar intimidado pelo Louis, sentia-me confortável... Quase em casa. Aquela tarde poderia ser menos tensa do que eu pensava...

2 comentários:

  1. Fico feliz que o Phillipe e o William se tenham dado tao bem um bom amigo tambem faz falta (ainda para mais inteligente a matematica)

    ResponderExcluir
  2. Os dois de parecem em alguns pontos, ao mesmo tempo que são opostos também kkk acho que conseguiram harmonizar isto kkkk
    Ele é bem inteligente, alem de fofo *♡*

    ResponderExcluir

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...