12.6.17

Linden Twins ♫ ♬ Capítulo 48 por Mel Kiryu


Capítulo 48      

        Encarou de novo o estilete manchado de sangue quando lavou o rosto na pia do banheiro.
     Mas, somente livrou-se em parte do mal estar quando deixou aquele banheiro, debruçou-se no parapeito de uma das janelas abertas da sala e respirou profundamente sem conseguir perceber de fato a paisagem pouco atrativa.

__Você quer ir ao Hospital?__ Sy indagou parado no meio da sala, também parecendo perdido.
__Eu não posso ir agora... Lembra? Eu disse que ia esperar o Syaoran aqui.    
__Eu não entendi...__ Sy retorquiu olhando vago a sua volta.__ Por que Huang fez algo assim? Se tem alguém que gosta de viver intensamente... É ele, é o Huang.
      Jiang também sentia que tinha sido enganado por seu irmão durante todo esse tempo. Qualquer pessoa mais ou menos próxima ao Huang diria que ele detestava desperdiçar o tempo, viver a vida pela metade.
__Sy... Em que hospital aquela senhora disse que Huang foi levado?__ Seu tom era anestesiado.
__Ah... Hospital Tsai Chen, fica há vinte minutos daqui se formos de ônibus.
__É melhor avisar ao meu pai... E entregarmos a chave do apartamento na portaria.
__Olha... Eu acho que vou dar um pulo no hospital, o Dai também deve estar por lá... E eu quero muito saber se Huang está bem.
    Jiang virou-se ainda sentindo a brisa e fitou Sying, assentiu num movimento de cabeça e em seu íntimo sentiu-se culpado por não estar com vontade de ir até o hospital, por dar graças pelo fato de ter marcado com Syaoran naquele prédio.
     Não queria rever seu irmão naquele instante, o que não poderia lhe causar mais remorso.
     Era impossível haver equilíbrio entre sua vontade e sua própria culpa.
__Jiang... A gente se encontra no hospital?__ Sy perguntou de saída, quando já tinham descido de elevador e entregue a chave do apartamento.
__Eu não sei ainda... Qualquer coisa te ligo.
__Não quer saber se seu irmão está bem?__ Sy inqueriu atônito, o lábios carnudos ligeiramente entreabertos.__ Você viu quanto sangue tinha naquele banheiro...!
__Não vem me olhar com essa cara, Sy! O Huang não pensou em nenhum de nós quando cortou a si mesmo com aquele estilete!... Por que eu teria urgência em vê-lo? Ou mesmo ter notícias dele?... Ele se quer tocou no meu nome nesses três últimos anos!... Ninguém aqui, além do pessoal da banda sabe que eu existo...
__Você nem sabe se ele morreu!__ Sying elevou um pouco a voz, o que de pronto o constrangia.__ O que isso importa isso agora?
__Pra mim importa.__ Jiang replicou algo mais discreto, sabendo que o porteiro e alguém que passava o olhavam atraídos pelo tom em desacordo de suas vozes.__ E não devia ser difícil para você entender, Sy!... O Dai também te largou para ir atrás do Huang, será que você não se cansa de ficar em segundo plano?
__O que você acha? Eles são meus amigos e eu posso colocar de lado minha frustração, Jiang... Por que não dá para fazer isso por alguém que é sangue do seu sangue?
__Não espero que entenda, Sying.
__Se entendo ou não... Não interessa.__ Sy exalou um suspiro se virando mesmo para ir-se sem mais.__ Mas, ao menos uma vez... Deveria deixar sua rixa pessoal com Huang de lado, esse pode ser o momento que ele mais precisa de você.
       Jiang encarou as costas de Sying, aquele cabelo suave e viçoso parecendo dançar enquanto ele caminhava à passadas largas, sumindo dali.

                                                                    *********  
               Nada fez com que Jiang deixasse aquele prédio.
      Usou o telefone da portaria para falar com seu pai, antes mesmo de discar os números já sabia que não era tarefa fácil.
    Por isso, nem bem ouviu um pequeno estalido do outro lado da linha, Jiang se apressou em dizer antes mesmo de ouvir a voz naturalmente calma de seu pai.
__Sou eu pai... Jiang.
__Diga, filho... Como está?
__Pai... Eu estou em Shoei.
__Em Shoei?__ O tom de Guzheng era de incredulidade.__ Está aí algo inusitado...
__Soube por Enlai que Huang estava de  volta à Shoei.
__E tinha que comprovar com seus próprios olhos?... É uma atitude estranha vindo de você, Jiang.__Guzheng comentou um tanto espirituoso.__ Já esteve com seu irmão? Aposto que ele ficou muito surpreso ao te reencontrar.
__Não, pai... Eu vim até ao apartamento em que ele mora, mas descobri pela síndica e uma vizinha de Huang que ele está hospitalizado.
     Veio o som de outro estalido mais forte, mas este parecia ter sido ocasionado pelo fone escapando das mãos de seu pai e batendo em alguma quina. Em seguida a voz de seu pai ressurgiu, sinceramente assustada:
__Hospitalizado você disse? Mas... O que houve com seu irmão? Já foi até o hospital?
__Não, eu soube agora pouco...__ A voz de Jiang antes sutilmente fria, foi tomada por qualquer das emoções ruins que pairavam em seu espírito.__ Huang foi encontrado ontem por um dos membros da banda... Sangrando.
__Quê?!... Pode ser menos evasivo, Jiang?__ Guzheng refilou, ríspido.
__Eu suspeito que Huang tentou o suicídio...__ Jiang replicou em tom cavo, limpando as lágrimas que teimavam em descer por seu rosto.__ Havia uma poça de sangue no banheiro... E um estilete largado dentro da pia.
__Jiang...__ Seu pai pronunciou seu nome como se estivesse diante de um vulto fantasmagórico.__ De algum modo você já sabia que isso podia acontecer, não é? Você já sabia o que Huang pretendia e não me contou!... Achei seu comportamento estranho na última vez que esteve aqui em casa, como pode esconder algo assim de mim?
__Eu... Eu não tinha certeza...
__Diga de uma vez em que hospital seu irmão está!
__No Hospital Tsai Chen...
__Estou indo para o Hospital agora!__ Guzheng anunciou portando uma firmeza que se misturava fatalmente a um tom pungente de zanga.__ Devo chegar em Shoei no máximo em uma hora e meia já que vou com meu carro... E quando o pior passar, nós dois vamos ter uma conversa muito séria!
     Não importava se Jiang fosse um homem de vinte e seis anos, que tivesse sua própria casa ou fosse dono de sua própria vida.
   Quando ouvia a voz zangada e desapontada de seu pai, era instantaneamente reduzido a uma garotinho sem os argumentos cabíveis para se defender.
    Seu pai encerrou a ligação junto com suas últimas palavras exclamadas.
    Mas, Jiang não colocou o fone no gancho logo depois.
    Seu lábio inferior tremeu e ainda imóvel fez um imenso esforço para evitar que se rompesse em lágrimas.

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