15.7.17

Devalli Demons Capítulo 46 por Golden Moon


Capítulo 46

O resto da semana passou de forma rotineira, a não ser pelos meus encontros com Dylan. Não sei se matamos totalmente as saudades, sempre tínhamos vontade de mais. Ficávamos a beira do lago ou em sua casa trocando beijos e mais beijos, tocando-nos sem pudor, conversando apenas sobre nós dois, o que mais nos interessava no momento.


Dylan me mostrou seus livros favoritos, seus escritos, desenhos. Mostrou-me um caderno cheio de desenhos do meu rosto e eu não consegui evitar as lágrimas quando vi. Presenteou-me com um desenho meu rosto em perfil, o qual guardei com todo carinho em meu armário. Fiquei encantado com seu talento para o desenho..  Quando lhe perguntei por que nunca havia me mostrado aquele hobbie, ele me disse que não se sentia tão seguro... Percebi que vários papeis amassados residiam abaixo da mesinha de trabalho. Ele desenhava, não ficava satisfeito, desenhava novamente...

Queria um auto-retrato dele, mas Dylan disse que era perigoso preservar um desenho de seu rosto em meu quarto. Conformei-me, um pouco chateado, mas logo seus beijos fizeram-me esquecer da chateação.

Na escola, Philippe continuava a demonstrar seus talentos para a matemática e outras ciências exatas. Despertando, assim, a curiosidade e inveja de outros alunos. Ele sempre lhes respondia de forma irônica e os urubus da sala começaram a se afastar dele, achando-o estranho demais. E eu... Gostava bastante do jeito de Philippe. Começamos a formar uma dupla de parceria na escola, nos ajudávamos e conversávamos muito nos intervalos. Ele se comprometeu a ir no jantar e disse-me que Louis também compareceria. Eu realmente não sabia como tudo aquilo seria... Estava ansioso para o sábado.

Durante os outros dias, minha mãe e tia se ocuparam do jantar do sábado, ao mesmo tempo em que cuidavam de preparativos do baile. O último só aconteceria no final da outra semana, mas tudo já estava sendo preparado às pressas. Jasmim passava mais tempo fora de casa, poucas vezes levava Arthur junto e, então, ele estava cada dia mais manhoso, choroso. À noite, não desgrudava da minha mãe e qualquer momento em que eu estivesse em casa, ele ficava o tempo inteiro do meu lado. Pelo menos de tarde ele tirava uma soneca e eu poderia sair, sem me sentir culpado. Depois de todos aqueles acontecimentos, eu me sentia mais perto do meu irmãozinho... Como seu protetor.

Eu estranhei o fato de que meu pai estava passando mais tempo com minha mãe e frequentemente a porta do quarto estava fechada durante a noite. Sentia-me culpado, mas precisava compreender que havia coisas que eu não poderia resolver...  Na madrugada da sexta para o sábado, eu acordei sentindo o corpinho miúdo e quente de Arthy perto do meu, abraçando-me. Notei em seus olhinhos o quanto estava assustado.

– O que foi, Arthy? – levantei o tronco, perguntando-lhe, ainda sonolento.

– Sonhei que a mamãe ia embora de casa e me deixava chorando, sozinho. – disse, em uma voz dengosa. Ele coçou os olhinhos e abraçou-me com ainda mais força.

Beijei seus cabelos, compreendendo sua angústia.

– A mamãe não vai embora, Arthy. E você nunca vai ficar sozinho, ouviu? – o deitei na cama, cobrindo-o com o edredom – estou aqui com você.

Ele balançou a cabeça, comprimindo os lábios para não chorar. Deitei-me ao seu lado e abracei Arthy, para que ele se sentisse protegido. Logo meu irmãozinho dormiu tranquilamente.

Estranhamente, o dia amanheceu e Arthur continuou em minha cama, aconchegado em meus braços, como um bebezinho indefeso. Eu me levantei, mexendo-me com cuidado, para não acordá-lo. Parti rapidamente para o banheiro e tomei meu banho. Quando voltei, Arthy continuava quietinho na cama, em seu sono tranqüilo.

Jasmim apareceu esbaforida no quarto. Apresentava as bochechas vermelhas e seus olhos um pouco arregalados, mostrava que estava preocupada com a cria mais nova. Quando se deparou a Arthur dormindo como um anjinho bom em minha cama, coberto e a salvo, foi como se um peso saísse de suas costas.

– Vamos filhote – ela se aproximou, sentando-se à beira da cama – Você precisa levantar e tomar um banho. – começou a retirar o cobertor de cima dele e logo Arthy se remexeu, reclamando.

– Will vai me ‘dá banho – sentou-se sobre a cama, ainda muito sonolento, esfregando os olhinhos.

Sentei-me sobre a cama, apenas para observar a cena.

– Seu irmão está ocupado, filho. – passou a mão sobre os fios loiros e ralos dele – Mamãe precisa te banhar logo, venha.

Jasmim tentou agarrá-lo pelos bracinhos pequenos, mas Arthy correu para o meu colo, agarrando-se às minhas vestes.

– Eu quero o Will! – não olhava diretamente para o rosto de Jasmim, o que talvez tenha contribuído para ela se assustar ainda mais. Minha mãe arregalou os olhos, como se não acreditasse no que ouvia.

Porém, eu até poderia entender o que aquilo significava: Arthy, apesar do sonho, parecia estar chateado com nossa mãe.

– Art...

– Mãe – interrompi, antes que ela o amolasse – não tenho nada a fazer agora. Pode ficar tranqüila.

– Tem certeza? – franziu o cenho, ainda digerindo a situação.

– Claro, você está ocupada com o jantar. Eu cuido do Arthy por hoje.

Meu irmãozinho se agarrou nas minhas roupas com força, eu podia sentir os pequenos dedos dele entranharem-se em minha pele. Era uma chateação nunca vista em Arthy... Sempre um “grude” com nossa mãe.

– Vamos, Arthy? – segurei a mão dele e saímos os três do quarto, tranquilamente. Enquanto eu me dirigia ao quarto dele, minha mãe nos lançava olhares furtivos, como se quisesse ter certeza de que estava tudo bem.

Assim que chegamos ao quarto, sua roupa já estava preparada e a água do banho pronta, esperando apenas para recebê-lo.

Tirei peça por peça e ele não reclamou, nem fez birra em nenhum instante. Arthy entrou na banheira e logo estava se ensaboando sozinho e eu, agachado próximo à banheira, apenas me preocupava em esfregar o seu corpo. Enquanto esfregava suas costas, meu irmão começou as perguntas:

– Gill vem hoje?

– Com certeza, sim. – respondi, já com receio – Por quê?

– Não gosto quando ele vem – sua voz soou mais baixa do que o seu normal.  Parou de passar sabonete no corpo por alguns instantes e depois voltou aos seus movimentos, um pouco mais lento do que antes.

– É por que ele bate em você?

Arthur olhou para mim repentinamente, os pontinhos vermelhos surgindo em seu rosto.

– Vou bater nele também! – exclamou.

– Não faça isso. – encostei-me um pouco mais à banheira – fique perto de mim... Eu vou te proteger, certo?

Sem encarar diretamente, olhando-me de lado, ele balançou a cabeça. Depois, sua voz baixinha e doce de criança murmurou:

– Amo você, Will.

Inclinei a cabeça acima dele e beijei os fios loiros de seu cabelo.

– Eu também te amo, pestinha.

Ele soltou aquela risadinha prazerosa que somente crianças sabem dar e jogou água em meu rosto. Revidei, jogando sobre o seu corpo e logo começamos uma pequena “guerrinha” de quem saía mais molhado daquele banheiro.

2 comentários:

  1. Esses dois irmãos estão se dando bem,mas ainda acho que o Arthur tem mesmo alguma coisa que o faz querer manter distancia da mãe
    E o Dylan é um artista hein *-*

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  2. Sim ^_^ O Will desenvolveu um senso de proteção pelo caçulinha, com tanta coisa de ruim acontecendo..
    Arthur andou afastado da mãe, então isso o magoou bastante.

    Ah! Dylan ama o desenho, mesmo que seja um hobbie que ele ache não ser tão bom assim xD

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