7.9.17

Devalli Demons Capítulo 55 por Golden Moon


Capítulo 55

Agarrei meu irmão e seus dedos se fincaram em minha roupa, chorando.  Logo a gritaria da minha mãe e os criados da casa chegou ao quintal e eu me levantei, segurando Arthur em meu colo.

Quando olhei para trás, Gilbert havia sumido de vista.

– O que houve, meu filho? – Jasmim chegou perto de nós dois. E eu ao menos conseguia lhe responder ou mexer um músculo sequer.



Arthur permanecia encolhido em meu colo, como um pequeno bebê indefeso. Quando Jasmim deitou os olhos sobre o seu pequeno, colocou as mãos sobre a boca para abafar o grito, os olhos arregalados de susto.

– Tirem Gilbert daqui agora. – eram as únicas palavras as quais eu consegui articular naquele meio tempo.

– Meu filho, me diga...

– Agora, mãe! – eu não consegui esconder a minha explosão de raiva que insurgia em meu corpo desde mais cedo. Gritei com ela e  todos que estava à nossa frente, apertando Arthur em meus braços.

Comecei a andar e Jasmim seguiu atrás de mim, com Nancy e outra empregada que eu mal conseguia me lembrar o nome no momento. Jim e Erin pareciam prontos para a partida e apareceram na varanda a perguntarem o que estava acontecendo. Olhei para os dois, ainda segurando Arthur em meus braços e meu pai apossou-se de susto quando percebeu a situação do meu irmão.  Erin não esboçou reação, assim como eu imaginava.

Quando chegamos ao quarto do meu irmão, a confusão se instalou e, por um momento, tive vontade de gritar na frente de todos que andavam de um lado ao outro, arrumando camas e curativos para colocar em meu irmãozinho. Eu só queria ficar perto dele, abraçá-lo e nunca mais olhar no rosto de Gilbert, por mais que ele nem tivesse culpa por sua agressividade: talvez ele também merecesse alguma proteção, de si mesmo. Os ferimentos de Arthur não eram tão graves, mas aqueles arranhões ardiam e passar os remédios seria um pouco complicado, já que meu irmão herdou a minha frescura.

Deitei-o na cama e, da pior forma possível, minha mãe cancelou a visita que faríamos aos parentes do meu tio. Ela se recostou ao meu lado e, com delicadeza em seus gestos, retirou o colete que meu irmão usava, passando para os sapatos depois. Sua blusinha branca tão bem passada e alinhada estava em trapos, suja de terra. Meu irmãozinho segurava minha mão com força, como se pedisse para que eu não saísse do seu lado, enquanto não tratassem da suas feridas. E assim eu fiz.

Fiquei recostado à cama, acariciando os cabelos ralos dele, enquanto ouvia seus gritos finos e exagerados ao sentir o ardor enquanto lavavam suas feridas e aplicavam remédios sobre elas.  Em nenhum momento em que estive no quarto, meus tios apareceram, muito menos Gilbert.

Somente quando toda euforia havia passado, meu pai surgiu no quarto. O olhar extremamente rígido dele passou sobre Arthur, que já ressonava, depois de toda confusão. Apenas conferiu se estava tudo bem e, mesmo que eu estivesse de costas, pude sentir que finalmente seu olhar recaiu sobre mim.

– Seu tio quer conversar contigo lá na sala. – disse, com a mesma frigidez de seu olhar.

Não me mexi, sem querer olhar no rosto de ninguém naquele momento.  Até que senti o toque quente de Jasmim em meu ombro.

– Eu fico com ele, filho. Pode ir. – voz dela era extremamente o oposto do tom rude do meu pai.

Levantei-me a contragosto e passei à frente dele, como filho rebelde que agora ele não gostaria que eu fosse. Sinceramente, me agradava de certo modo.

Andei elo corredor, sendo seguido pelo meu pai, que não disse uma palavra até que eu chegasse até a sala de estar. Ali, encontrei Lilian, Erin e Gilbert sentados todos juntos no mesmo sofá. O pequeno estava recostado sobre o colo da sua mãe, recebendo todo mimo possível. O olhar não muito sério do meu tio me encarou assim que eu pisei os pés na sala.

Fiquei parado, observando a família perfeita e cruzei os braços, demonstrando-os nitidamente que não seria fácil conversar comigo.

–Bem, William... Sente-se. – meu tio apontou para a poltrona a frente dele e eu não movi um músculo sequer.

– Obrigado, estou bem assim.

Eu ouvi o suspiro longo do meu pai e ele mesmo fez o favor de sentar na poltrona, olhando diretamente para mim. Continuei de pé, firme em minha posição.

– Eu só queria que você explicasse o que está acontecendo. – disse Erin, cruzando as pernas.

– Seu filho agrediu meu irmão. E não é de hoje que ele está assim, agressivo.

– Desde quando ele está assim? – continuou, ainda centrando-se em mim.

– A primeira vez que eu vi foi no dia do jantar para comemorar sua volta do ataque. – disse aquelas últimas palavras sentindo um asco estranho em minha boca.

– São poucos dias... – divagou meu pai, coçando sua barba.

– Sim, e são. – ele se levantou, mas não deu um passo sequer. – por acaso isso é algum motivo para você destratar minha esposa e filho? São brincadeiras de criança!

Eu desatei os braços, sem conseguir acreditar no que ouvia. Meus olhos se estreitaram e minha boca se abriu, precipitando a explosão de raiva inevitável. Brincadeira de criança?! Meu irmão estava ferido e extremamente triste em cima de uma cama e aquilo era apenas uma brincadeira de criança?

– Meu irmão caído no chão cheio de ferimentos é uma brincadeira de criança?! – gritei, meu corpo inconscientemente projetando-se para frente. – O senhor está ficando louco, só pode!

Ele continuou em sua posição, enquanto sua esposa o observava, incisiva. Meu pai quase se levantou para me repreender, mas com apenas um gesto com sua mão, meu tio fez Jim parar imediatamente.

– Eu não estou louco. Minha esposa me afirmou que seu irmão também agride Gilbert quando estão brincando.

– Como é que é? – eu olhei para ela, incrédulo. Não queria mesmo acreditar que ela havia distorcido minhas palavras a favor de seu filho.

– Isso mesmo. Eu mesma já vi. – disse, cinicamente, também olhando para mim.

A posição de víbora dela só ficava ainda mais evidente. Eu olhei o jeito dela segurar seu filho no colo, sentindo asco de todos eles juntos. Eu podia sentir: meu rosto ardia e uma onda de energia estranha me invadia.

O que via a minha frente eram apenas borrões sem definição, assim como meus passos que avançaram para cima de qualquer um deles que aparecessem a minha frente.

– Vocês me enojam! – gritei, enquanto meu pai segurava meus braços e meu corpo se debatia contra o seu, sem se importar se o machucava ou não.

Não demorou muito até que minha mãe surgisse com Nancy na sala e gritasse o meu nome, ao ver eu e meu pai em uma luta sem muito sentido. Meus braços se agitaram sobre Jim e eu consegui empurrá-lo com força.Quando percebi, ele caiu sobre a poltrona onde antes estava sentado.

Minha mente parecia apagada naquele momento. Meus olhos estavam cegos. Eu só conseguia sentir o meu corpo e toda raiva que se apossava dele. Em uma tentativa inútil de me acalmar, Erin segurou o meu braço e seus olhos castanhos, quase negros se sustentaram em mim durante alguns segundos.

Mesmo que percebesse o quanto eu estava com ódio, ele disse,

– Não entendo tamanha raiva, garoto. Acalme-se.

– Some da minha frente, demônio.– meus dentes rangiam enquanto aquelas  palavras saiam da boca amarga. Eu sabia que apenas ele poderia ouvir minha sentença e, antes que eu pudesse me revoltar novamente, me soltou no mesmo momento.

Como um bezerro desgarrado, parti em disparada pela escada. Jasmim veio correndo atrás, gritava meu nome e eu notei que seu choro era inevitável. Milan vinha segurando as rédeas de um cavalo preto, que meu pai passeava às vezes pela cidade nos domingos. Sem perguntar absolutamente nada, peguei as rédeas do cavalo e montei nele numa velocidade que eu mesmo me impressionava.

Saí em disparada pela chácara, levando o cavalo comigo e só consegui olhar uma vez para trás: meu pai parecia reclamar do cavalo, minha mãe chorava e os empregados observavam o filho rebelde fugir sem ter exatamente para onde ir. Meus tios deveriam estar lá dentro, ainda impactados – ou riam-se? – da minha raiva.

Pedia desculpas mentalmente a Arthur.

Mas depois daquele infeliz incidente, eu duvidava que Jasmim o deixasse brincar com Gilbert novamente... Além do que, eu teria de voltar, mesmo que fosse ao outro dia. Nada adiantava fugir daquele jeito.

Pediria desculpas ao Dylan, se conseguisse chegar a sua casa vivo. Eu sabia o caminho, era uma trilha tranqüila, mas aquele aviso de Louis era extremamente incisivo, e eu não poderia tê-lo desrespeitado. Entretanto, minha presença naquela casa seria impossível depois daquela tensão e eu surtaria se continuasse ali.

2 comentários:

  1. Meu deus que capitulo emotivo
    Eu rezo que William chegue em segurança aonde ele pretende ir... ele nem devia era voltar para casa
    Seus tios sao verdadeiros demonios

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu falei que as coisas ficariam mais pesadas kkk
      Ele vai chegar, Rima-san.. Mas vai descobrir coisas nao muito agradáveis, talvez..

      Excluir

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