13.9.17

Devalli Demons Capítulo 56 por Golden Moon


Capítulo 56

O cavalo trotou pela floresta e, quando estávamos a pouca distância da estrada de terra, consegui diminuir sua velocidade. Eu deveria seguir atento, sem fazer tamanho barulho. Por um momento, as imagens da névoa passaram pela minha cabeça e um tremor da cabeça aos pés apossou-se do meu corpo. Eu sabia que estava me expondo a um perigo extremo, mas respirei fundo mentalizando que conseguiria chegar à mansão do Dylan vivo e são de mente.



Porém, logo eu comecei a ouvir um burburinho pequeno, mas assustador na floresta. Não pareciam os passos de um animal na floresta. Não era um sibilar de cobra, muito menos o zumbido de alguma vespa. Era como um mantra, vozes humanas baixas, mas unidas, ditando palavras inaudíveis. O cavalo continuava com seu trotar manso, e eu percebia que aquelas vozes se tornavam mais altas à medida que avançávamos naquela floresta.

Em determinado ponto, quando já estava bastante perceptível o som, notei que não era um dialeto da cidade. Uma língua estranha, enrolada.. .Talvez confusa aos meus ouvidos ignorantes.

Desmontei do cavalo e segurei suas rédeas. O medo anterior ainda estava instalado em mim, mas minha curiosidade me puxava em frente, pronto para descobrir o que havia por trás daquele zunido estranho. Foi então que vi que me aproximava de uma clareira e andei um pouco mais rápido, talvez aquele ‘ritual’ estranho vinha de lá.

Parei e visualizei que alguns vultos pretos formavam um círculo ou eram pessoas com capas pretas? Era uma imagem estranha. No meio, jaziam algumas pedras vermelhas e velas.. Muitas velas estranhas. Eu olhava para um lado e para o outro, sem entender exatamente o que acontecia ali. Sempre achei que esses tipos de rituais eram feitos à noite.

Até que um dos vultos passou à minha frente e eu saltitei, agarrando-me ao tronco de uma arvore, mas nenhum grito se fez em minha boca. O cavalo também se agitou um pouco, mas apertei as rédeas em minha mão.

— O que você está fazendo aqui, William? — aquela voz rouca, mas sem muita agressividade não podia ser confundida.

— Dylan? — Eu virei e vi meu “amante” a tirar o capuz preto de sua capa, olhando-me como um estranho.

— Eu... — não conseguia dizer absolutamente nada. O olhar de Dylan não era o mesmo carinhoso e acolhedor de sempre. A sua testa estava franzida e, apesar de não ter um tom ameaçador, seus olhos me diziam o quanto eu não deveria estar ali.

—A Isis te entregou o recado, você não deveria sair. — continuou ele.

— Eu fugi de casa, Dyl. — apertei os lábios, triste por aquela expressão dele.

— Dylan, o que está acontecendo? — outra voz masculina conhecida aproximou-se de nós dois e logo Louis com seu olhar felino estava próximos de nós dois. — O que ele faz aqui?

— Como assim fugiu de casa?  — Dylan deu um passo à frente, ignorando as perguntas de seu primo.

— Gilbert atacou meu irmão hoje. — meus olhos baixaram para a terra escura, procurava forças para continuar a falar — Arthur está todo arranhado e meus tios insistem em defender aquele garoto.

Quando retornei o olhar para eles dois, Louis encarava o rosto de Dylan de um jeito muito sério. Naquele momento, era Dylan que tinha os olhos baixados para a terra.

— Entendeu agora? — disse o primo, deixando-nos a sós logo depois.

Eu o encarei demoradamente e meu namorado não se mexia, nem falava absolutamente nada. Amarrei as rédeas do cavalo no tronco da árvore e dei alguns passos a frente, para ficar mais perto dele. Toquei em seu rosto, que estava frio, como de um morto.

— Dylan...

— Eu não quero que façam isso. Não sei nem o que faço aqui. — Ele andou na direção oposta
à clareira. Sua capa arrastava-se ao chão, levando terra e folhas junto.

Libertei o cavalo do tronco da árvore e puxei-o junto, tentando seguir os passos rápidos de Dylan na floresta.

— Dylan, me espera! — quando já chegava perto de si, minha mão involuntariamente tentou agarrar a sua capa, mas ele virou repentinamente.

Eu não conseguia decifrar o que havia em seu semblante, eu só senti medo de Dylan. Pela primeira vez.

— Eles acabaramde chegar, William.

— Eles quem? — dei um passo a frente, tentando entender onde ele queria chegar.

— Os parentes do seu tio.

Meneei a cabeça, tentando unir os fatos. Dylan aproximou-se de mim lentamente, sua pele que já não estava tão fria encostou-se em meu rosto, e deslizou para os fios loiros.

— Farão de tudo pra proteger esse garoto. — continuou ele, com a voz mais baixa.

Pisquei os olhos e minha atenção saiu de Dylan e vagueou pela floresta, buscando  uma lógica para defenderem tanto Gilbert.

— O que Gilbert tem de tão especial? — minha voz saiu extremamente tímida, quase um sussurro. Tinha medo de que alguém estivesse entre as sombras nos escutando.

— Ele é igual a mim, isso é o que os Goons mais queriam. — ele se virou novamente, como se estivesse envergonhado do que dizia.

Os passos dele começaram a se tornar rápidos novamente e quando percebi Dylan chifres encurvados formavam-se na cabeça dele e sua silhueta desapareceu em meio a floresta.

— Dylan!! — corri e montei no cavalo novamente, percebendo que os vultos negros se movimentavam na copa das árvores.

Eu não sabia exatamente para onde estava indo, só procurava seguir o movimento dos vultos, e as folhas das árvores se remexendo, o que causava pânico aos pássaros. Gritava o nome de Dylan sem me importar com a amplitude da minha voz, ela só queria expressar o meu desespero. Não queria ficar sozinho, não naquele momento.

— Dylan! —Quando cheguei aos arredores do “nosso lago”, parei, percebendo que as lágrimas já inundavam meu rosto. — Você não disse que me protegeria?!

Foi a última coisa que consegui gritar, tendo esperanças de que ele me ouviria. Mas nenhum som, nenhum movimento a mais surgiu na floresta. Desci e parti para o lago, sentando-me sobre a grama fofa. O cavalo do meu pai partiu para refrescar-se na água cristalina e verde e lembrei-me dos banhos dele no lago, da cor estonteante de seus olhos de esmeralda. As lágrimas caíram com ainda mais força e eu não quis esconder o rosto. Deixei que elas pingassem sobre a grama, marcando o lugar onde nós começamos toda aquela história. O lugar onde eu havia me perdido... Sem saber que viveria momentos onde um furacão de emoções e sentimentos intensos me esmagaria sem dó.

2 comentários:

  1. Eu não entendi de todo a atitude do Dylan
    Mas ainda acho que foi um ato de proteger o William, até algo oposto acontecer

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    Respostas
    1. Vai entender melhor no próximo capitulo, Rima-san. Will nao vai ficar sozinho por muito tempo nesse lugar.

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