13.9.17

Red District This Side of the Moon 13 por C.C & Mel


Capítulo 13 por C.C

Achei que seria melhor não levar a roupa habitual. Um fato ia dar demasiado nas vistas e não convinha sermos vistos juntos. Logo vesti a roupa mais discreta que encontrei, lembrando-me dos meus tempos de adolescente, e deixei o cabelo tal qual como quando saíra do banho.
Não foi difícil encontrar Lawrence na imensidão de pessoas do shopping pois por muito que ele tentasse passar despercebido aos meus olhos parecia como se uma aura o rodeasse.

Foi impossivel conter o riso quando me perguntou timidamente as horas. Via-se o nervosismo evidente de quem não sabia se eu ia aparecer e tal foi a minha surpresa quando me abraçou, abraço esse que também não lhe neguei.
Pedi-lhe que conversassemos no carro onde haveria menos olhares curiosos e ele seguiu-me.
- Pensei que não viesse... Achei que Haru não entregaria meu bilhete. Haru e você acaso são namorados?
Sei que parecia cruel da minha parte dar uma gargalhada perante os sentimentos inocentes dele mas só o facto de ter considerado que eu namorava com o Haru não pude evitar. Afinal as tais coisas maldosas que referira de alguma forma deixaram a impressão de que o Haru gostava de mim.
- Desculpa, mas não somos assim. Tivemos uma relação casual mas somos apenas bons amigos. Ele até tem namorado agora.
- Se é assim... Eu tenho algo para lhe perguntar, Master... Não sou atraente para você?
Custava a crer que ele me fizera aquela pergunta. Claro que nunca lhe dissera nem que sim nem que não e não era exatamente o tipo afeituoso mas também não dera a entender que achava o contrário.
- Porquê essa pergunta agora?
- Sempre que tento me aproximar, sinto que fica tenso... Pouco à vontade comigo.
Obviamente! Não sou cego e custa-me ignorar as provocações e olhares que me manda mas tenho o meu auto-controlo e mais do que as complicações devido ao nosso status ele é menor. Sim, todas as minhas duvidas se baseavam nisso. Para mim era difícil aceitar o facto dele ser menor pois eu sabia o que era ser privado da liberdade que devia usufruir para a idade que tinha. Ser obrigado a levar uma vida que não queremos, ter de aprender a ser adulto à força e teres de vender não só o teu corpo como a tua dignidade. Mais que tudo queria que ele primeiro fosse feliz e só então pensasse noutros sentimentos. De qualquer forma não podia deixá-lo em baixo.
- Eu não sou como os outros e não quero o mesmo que os outros. És atraente, mas continuas a ser menor. E eu tenho respeito por isso.
- Tenho que esperar fazer vinte anos para poder roubar-lhe um beijo?
E era disto que eu falava, estas provocações inocentes que testavam os meus limites.
- Lawrence estás a brincar com o fogo.
O olhar desesperado focou-se em mim como se quisesse que eu realmente entendesse o que sentia.
- Está enganado, não estou a brincar... O que estou tentando dizer... É que gosto de você, gosto muito de você.
Ouvir aquilo foi como se uma chuva de lanças acertasse todo o meu corpo e me trespassasse de um lado ao outro. Eu não queria escutar uma confissão pois tinha consciência que quando ele se declarasse eu não conseguiria ficar indiferente. Eu não podia reconhecer os seus sentimentos não por não serem recíprocos mas porque colocaria a sua segurança em risco. Se alguém na Houkan House descobrisse, se ela descobrisse, ele seria castigado por ter se apaixonado mas ainda pior por ser por mim. Se fosse assim era preferível negar-lhe já tudo.
- Estás só confuso, acabamos de nos conhecer.
Nem eu sabia como conseguira fazer a minha voz soar tão neutra e fria. Automaticamente a expressão dele mudou envergando uma tristeza tão profunda como eu nunca vira.
- Entendi... Quem iria se interessar por um garoto de programa, não é? Acho que era tudo que eu precisava ouvir... Não vou incomodá-lo mais.
Abriu a porta do carro e saiu tentando controlar a vontade que tinha de fugir. Por momentos pude ver as pequenas asas de liberdade que ganhara nos últimos tempos serem completamente arrancadas. Se não retirasse o que dissera ele ficaria a pensar que eu o odiava, mais uma vez por culpa dele, e iria afundar-se por completo naquela tristeza que via envolver-se em seu redor. Suspirei dando-me por vencido. Mais tarde pensaria nas consequências.
- Lawrence, esqueceste-te de uma coisa?
- O que esqueci? - Ele parecia desconfiado e algo amedrontado por voltar para trás.
Acenei-lhe pedindo que voltasse ao carro e assim que ficou ao meu alcance puxei-o pelo braço e beijei-o. Podia sentir todo o desejo e aflição dele enquanto as nossas linguas se enlaçavam e me agarrava como se eu fosse desaparecer a qualquer instante. Não podia negar a tesão que se instalara nos bancos traseiros do meu carro mas aquele não era o lugar nem o momento para que isso acontecesse e visto que eu parecia ser o mais consciente da situação, pois alguém se deixara envolver por completo, afastei-o gentilmente abrindo espaço entre nós e beijando-lhe na testa:
- Vamos com calma. O mundo não acaba hoje, Lawrence.
- Isso quer dizer... Que voltarei a vê-lo? Mesmo que esse dia termine e eu volte daqui a poucas horas para a Houkan House?
- Claro que sim. Estamos mesmo um ao lado do outro. Se precisares de mim só precisas chamar.
- Mas a Okaasan...
- Eu sei. Por agora vamos manter as coisas como estão, mas se realmente precisares de ajuda quero que venhas ter comigo.
- Quando o verei de novo?
- Vamos ver-nos. Prometo.
O beijo de despedida foi mais simples, romântico. Uma pequena promessa de reencontro e agora sozinho no meu carro, no estacionamento do shopping, não podia evitar encostar a cabeça ao banco da frente fechando os olhos e tomando conta de que tudo o que acontecera naqueles escassos minutos iria mudar por completo tanto a minha vida como a dele e para evitar problemas maiores eu tinha de começar a preparar-me já.
                                                                ***
Os vinte rapazes do Paradise Host Club olhavam-se entre si tentando perceber a razão que me levara a reuni-los todos de um momento para o outro. Da última vez que algo do género se passara fora porque um deles engravidara uma das clientes mas visto que andavam todos na linha agora era normal a dúvida nos seus olhares.
Eu encontrava-me em frente deles tentando arranjar a melhor maneira para começar.
- Rapazes, antes de mais obrigado por virem assim tão em cima da hora. Sei que é repentino mas o que eu tenho para vos falar não pode esperar. - A curiosidade dominava-os por isso tinha toda a atenção deles concentrada em mim. - Antes de mais quero já pedir desculpa por vos arrastar para os meus problemas e se depois de eu contar o que se passa alguns de vocês quiserem sair do Paradise têm o meu apoio e não ficarei chateado ou ofendido. - Era possível ver como de repente a atmosfera mudara adotando um ar mais pesado. Sorri. - Senhores, vamos comprar briga com a Houkan House.

6 comentários:

  1. Ena! Gostei desse finalzinho de quem parece querer começar uma guerra *-*
    Ao menos que salve o Lawrence dessa guerra ileso !

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    1. Bom, guerra nunca é algo bom, mas se o Master decidiu também lutar pelo o que deseja, é meio caminho nadado. :)

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    2. *caminho andado (eita dislexia!)

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  2. Eu não tô sentindo algo bom dessa guerra. Estou sentindo que Law nao vai se sair bem disso aí :-\

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    Respostas
    1. Oi, Golden! ^^"
      Bom, a verdade é que guerras realmente de modo geral não tem vencedores... Então, é algo preocupante mesmo.

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    2. Oi, Mel ^_~
      Bem, isso é verdade. Mas fiquei preocupada e curiosa rs Quero saber como essa guerra vai ser recebida na Houkan House, as chefas parecem ser bem linha dura hah

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