31.10.17

Devalli Demons Capítulo 60 por Golden Moon


Capítulo 60

    Sob o canto dos pássaros e a sombra das copas as árvores, o jardim parecia tranqüilo para um a boa conversa, ainda mais um assunto tão tenso como eu imaginava que Philippe falaria. Assim que eu e Philippe chegamos, sentamo-nos um ao lado do outro e ele não teve rodeios para começar a falar,
— Meu irmão saiu hoje de manhã cedo e encontrou os Goons. Eu não sei exatamente quantos já estão por aqui, mas não são apenas os irmãos do seu tio e a morte de hoje de manhã não é a única.
— Como assim? — meu corpo se projetou para frente, ansioso por aquele relato.
— Dylan está em nossa casa agora. E ele disse que ontem à noite, enquanto se dirigia a nossa casa, uma vila estava em desespero, pois houve mortes por lá. Eles sempre começam pelas regiões mais distantes, mas estão na cidade novamente.

             O olhar de Philippe estava fixado no caminho de pedra cinzento do jardim. Busquei colocar a mão sobre seu ombro.
— Você não queria estar aqui... — murmurei, apertando-o, como forma de confortá-lo.
        Ele balançou a cabeça, confirmando minhas palavras. Entretanto, seu olhar se voltou para mim e, para minha surpresa, eles estavam brilhantes, mas não de lágrimas.
Eu não sabia que brilho era aquele.
— Mas eu preciso ficar perto do meu irmão.
          Sorri para ele, sentindo em seu olhar a mesma dor que vi no Dylan. O sinal da escola tocou e nós dois nos levantamos ao mesmo tempo. Começaríamos a andar para o pátio da escola, se não fosse um grito no meio das árvores surgir estridente.
        Era o grito fino de uma mulher, uma jovem. Philippe parou, olhando para as árvores e meu corpo hesitava em correr até lá para ver o que havia acontecido, porém, sequer foi necessário.
Em alguns passos trocados, uma moça vinha andando pelo caminho de pedra do jardim. A saia rodada azul esvoaçava-se pelos ventos, assim como seus cachos bem feitos que escondiam o rosto.
         Ela se aproximava de nós dois, lentamente. Eu conhecia aqueles cachos cor de chocolate, mas meu corpo nada fazia para ir até lá. Eu e Philippe continuamos parados, até que a cabeça baixa se levantou repentinamente e os olhos arregalados de Melissa me fizeram estremecer da cabeça aos pés. Sua boca fechava e abria repetidamente, como se balbuciasse algo que somente ela poderia compreender.
— Será que ela?.. — murmurei, mas Philippe continuava imóvel, ainda olhando para a moça.
De repente, ouvimos os passos de botas vindo da entrada do jardim e finalmente Philippe se movimentou, indo à direção contrária das pessoas que chegavam.
— O que houve aqui?! — gritou o guarda, já bem próximo de mim.
— Melissa! — a secretaria que o acompanhava correu até a jovem, e a segurou entre os braços.
Melissa não respondia, apenas olhava para o céu. E a moça ao seu lado parecia não compreender uma palavra sequer que a garota dizia.
— Garoto, o que aconteceu aqui?
Finalmente consegui desvencilhar meu olhar daquela cena e voltei a atenção para o guarda.
— Eu não sei. Conversava com meu colega e ouvimos um grito vindo de lá.
Apontei para direção de onde as duas vinham e quando olhei para a expressão esquisita de Melissa, eu quase tremi de medo. Ela parecia em outro mundo, completamente fora de órbita.

                     Aquilo não era um ataque de Goon.
           Antes que me enchessem de perguntas novamente, corri para fora do jardim e, quando chegar ao pátio, não vi nenhum rastro de Philippe. Eu tinha uma hipótese para aquela reação estranha dele, mas queria saber dele se eu estava correto. O sinal tocou novamente e, atrás de mim, vinha a secretaria segurando Melissa aos seus braços, acompanhada do guarda e, à frente, um grupo de funcionários vinham ampará-los. Logo a diretora fez um sinal com a mão para que eu subisse e executei a ordem, à contragosto.
          Eles nada poderiam saber do que havia acontecido com Melissa. O estado mental dela não parecia permitir que ela falasse algo concreto.
Ao chegar a minha sala, Philippe estava encostado no fundo da sala, sozinho, olhando a janela. Em um lugar completamente distante dos lugares onde costumava sentar. A turma praticamente inteira estava sentada, porém a professora Kassy ainda não havia entrado. As amigas de Melissa pareciam alvoroçadas pela falta da “líder” do grupo. Suas bocas não paravam de falar nem um instante, perguntando-se onde estava a moça. Eu não queria ser o porta-voz da triste noticia.
        Passei direto por ela e procurei sentar ao lado de Philippe. O olhar brilhante dele recaiu sobre mim, e sua seriedade não era amedrontadora como a de seu irmão, muito pelo contrário, era gentil... Quase meiga.
— Você já sabe o que é. Não precisa me perguntar. — murmurou, ainda a me observar.
Balancei a cabeça, sentindo uma imensa compaixão por Philippe.
— Você sabe pelo menos quem foi? — perguntei, quase de forma inaudível.
— Qualquer um deles, menos um Dylan. Estava tão perto da nossa casa... — ele olhou novamente para a janela. — Ela pode voltar a ser quem era... Daqui a alguns anos.
Sua voz parecia mais baixa a cada palavra dita. Ele continuou a olhar para a janela, onde uma árvore cheia de flores brancas enfeitava a vista. Eu não queria mais fazer parte daquela família.
Kassy adentrou a sala de aula e o seu passo era lento, quase ensaiado. Depositou seus materiais sobre a mesa de madeira e arrumou-os com uma lentidão impressionante. O que não era seu costume. Logo a atenção de Philippe retornou à professora, mas não parecia ainda tão presente naquela sala de aula. Philippe estava longe e eu não ousaria tentar resgatá-lo, talvez ele precisasse se distanciar um pouco.
— Bom dia, turma. — ela nos cumprimentou de forma quase automática e respondemos da mesma forma. — A diretoria pediu para informá-los que só poderão sair da escola no dia de hoje com a presença de algum responsável.
— O ataque de hoje pela manhã. — sussurrou Philippe. Eu o respondi, balançando a cabeça.
       Assim que a professora fez um primeiro movimento para se sentar, Mandy, uma das amigas de Melissa se levantou, alarmada.
— Professora, é estranho a Melissa não ter chegado ainda.
— Ela pode estar doente, Mandy.— Kassy falou sem se importar muito com a interferência da estudante. Sentou-se sobre sua mesa e abriu o caderno de chamadas.
— Mas ela não mandou nenhum aviso. — disse Tess, a outra mocinha do grupo, sem ousar levantar-se.
— Não sabemos lhe informar... — Kassy começou a falar, mas logo foi interrompida.
— Professora Kassy? — uma voz feminina rígida insurgiu na entrada da sala e, quando olhamos para lá, a diretora Samille, estava de braços cruzados, apenas esperando nossa docente atender o chamado.
       Os alunos se entreolharam, estranhando aquela movimentação antes mesmo da aula começar. Eu olhei para Philippe e ele também me encarou, pois já sabíamos do que Samille veio tratar. Pousei a mão sobre o braço de Philippe, como uma forma de conforto, ele apertou a minha mão, aceitando meu frágil apoio.

4 comentários:

  1. Nossa... está cada vez mais a ficar problemático
    De algum jeito os devalli vão ter que contra atacar

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  2. A briga realmente está cada vez pior
    É só tem a piorar kk
    Obrigada por sempre comentar, Rima-san <3

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  3. Meu Deus, Golden... A cada capítulo só vem aumentando a tensão!

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    Respostas
    1. Sim! kkkkkk Até eu mesma fico assustada. Mas isso logo vai passar.... Por enquanto.

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