14.11.17

Devalli Demons Capítulo 61 por Golden Moon


Capítulo 61

      Kassy voltou uns dez minutos depois e a turma já estava mergulhada em um burburinho estranho, como eu e meu companheiro estávamos afastados dos outros, pouco podemos ouvir sobre o que conversavam, mas Melissa era o nome central naquelas conversas. Ela pouco disse o que havia acontecido, apenas que a moça teve um mal-estar e precisou retornar para casa.
       Assim que ela terminou de falar sobre a estudante, ditou uma ordem que eu realmente não esperava.
— William Sullivan e Philippe D’Greece, a diretora Samille precisa falar com vocês na diretoria.
Eu não olhei para Philippe, nem ele olhou para mim. Nós apenas nos levantamos, sendo observados de cima a baixo por toda a turma. Era desconfortável ser o centro das atenções daquele jeito, mas naquela situação, eu não podia prestar tanta atenção àquele fato.

     Saímos pelo corredor e Philippe não mais adiantou o passo como fizera antes, andou no mesmo ritmo que eu, provavelmente porque ainda não exatamente onde ficava a secretaria.
— Não acredito que eles querem nos perguntar sobre aquilo...— comentei, ainda sem digerir muito bem a ordem.
— Will... — Philippe retornou a olhar para mim, com um sorriso fraco de lado — você achou mesmo que não nos perguntariam sobre o ocorrido? Fomos testemunhas.
— Mas não vimos nada mais do que ela chegando pelos jardins. Queria saber como ela chegou aqui... — divaguei como se não falasse com Philippe, mas comigo mesmo.
— Provavelmente ela entrou, mas desnorteada do jeito que estava se perdeu pelo jardim.
        Nós já descíamos as escadas e continuamos pelo pátio interno, até chegamos à secretaria. A mesma moça que amparou Melissa veio até nós dois e nos acompanhou até a sala da diretoria. Ela fez o favor de bater na porta e abri-la para que nós dois entrássemos.
         Aquela sala sempre causava calafrios em qualquer estudante. Era iluminada por duas grandes janelas e seus tons de madeira avermelhada brilhante davam um ar esquisito e pouco familiar ao lugar.  A primeira e única vez que eu adentrei ali foi por que um colega do primeiro ano, que adorava perturbar a todos, havia me agredido simplesmente por que pedi para que ele me deixasse em paz. Fiz todo drama necessário para que o mantivessem longe de mim e, como era um bom aluno, meu pedido foi atendido. O aluno foi transferido de sala para o alivio meu e de todos da turma.
        Dessa vez, eu não sabia se seria recebido como vítima. O olhar da diretora Samille era sério, mas não parecia severo. Era apenas uma diretora que parecia querer dar um aviso importante aos seus alunos.
        Apenas me sentei na poltrona à frente da mesa, junto a Philippe, esperando a sentença. Ela colocou os cotovelos sobre a mesa e apoiou o queixo sobre suas mãos entrelaçadas.
— O guarda Mayer me falou que vocês dois estavam presentes quando Melissa foi encontrada.
— Sim, estávamos. — Philippe respondeu rapidamente e eu apenas o encarei, surpreso por vê-lo tomar a frente.
— Contem-me o que viram.
— Nós dois estávamos conversando no jardim e ouvimos um grito. Quando olhamos na direção, ela vinha daquele jeito. — Philippe falou de modo sério, olhava diretamente para a diretora.
Samille olhou bem para mim, como se esperasse que eu o confirmasse.
— Você confirma as palavras dele, William?
— Sim, senhora. — balancei a cabeça, sem deixar transparecer o nervosismo que sentia.
Ela tirou os cotovelos da mesa e posicionou-se de um modo mais confortável em sua poltrona acolchoada. Agora, suas mãos entrelaçadas estavam sobre o colo.
— Não sabemos exatamente o que aconteceu com ela, pois Mayer disse que a viu entrar normalmente.
         A expressão dela era de desconfiança, como se ela soubesse que conhecíamos algo além do que poderíamos dizer.  Olhei para Philippe, e ele suspirou. Sabia que ele poderia explicitar ainda mais aquela situação para a professora, mas segurava-se para manter sua família em completo sigilo, como deveria ser.
— Foi apenas isso que presenciamos, professora. —as últimas palavras dele soaram como um ponto final, o qual Samille compreendeu perfeitamente.
Ela fez um sinal para que levantássemos e agradeceu a nossa “colaboração” no caso, mas percebia-se que não se deu por satisfeita.
— Peço-lhes que não comentem absolutamente nada com seus colegas. Digam que vieram a  diretoria para assuntos pessoais. — o tom dela era severo e nós apenas balançamos a cabeça, já cientes de que aquele assunto “morreria” ali mesmo.
        Eu e ele nos levantamos e saímos sem dizer absolutamente nada. Andamos pelo corredor, no mesmo ritmo que fomos para lá e, antes de chegarmos à escadaria Philippe parou no meio do caminho. Quando me virei para ele, os cabelos escuros e lisos do meu companheiro quase escondiam o seu rosto e eu tive de me aproximar mais dele.
— O que houve, Lippe? — murmurei, tentando vislumbrar seu rosto por baixo dos fios negros.
— Eu senti uma vontade imensa de dizer. — ele sussurrou, mas eu consegui ouvi-lo bem, Philippe levantou a cabeça para mim e sorriu, desmanchando aquele jeito sério de antes — é divertido, não?
Minha testa franziu-se ao ouvir aquelas palavras, estranhando completamente aquela reação dele. Philippe riu da minha expressão e pousou a mão sobre o meu ombro.
— Temos que nos acostumar, William... Será ainda mais freqüente. — pela primeira vez eu achei Philippe parecido com o irmão, em algum traço de sua personalidade.
— Isso é insano... — murmurei, sem saber muito bem como reagir a tudo aquilo.
— Ah.. Pois é. — ele deu uma batidinha fraca em meu ombro e seguiu para a escada.
Subimos as escadas, seguindo para aquela aula entediante de Kassy, a qual Philippe adorava. Adentramos na sala, do mesmo jeito que saímos: observados de cima a baixo por nossos queridos colegas. Philippe não estava tão participativo na aula, mas permanecia concentrado, fazendo seus cálculos e me ajudando nos exercícios. Quando chegou a hora do intervalo, assim como era esperado, todos os nossos colegas vieram atrás de nós. Seja na cantina, ou na sala de aula. Demos as desculpas propostas pela diretora Samille, mas sabíamos que eles não estavam satisfeitos. E com bastante razão. Achei estranho o fato de que Mandy e Tess não vieram nos perguntar absolutamente nada. Depois do lanche, fomos andar um tempo no pátio e as encontramos sentadas no banco de mármore da pequena fonte.
          As duas não tagarelavam como era de costume, nem com sorrisos ou trejeitos de meninas adolescentes. Elas apenas estavam sentadas, Mandy observando a água da fonte cair de um vaso do pequeno anjinho ao meio, Tess acariciava seus próprios cabelos, o pensamento longe. Era como se o brilho e a alegria daquele trio tivessem sido apagados por conta da ausência de Melissa.
Philippe olhou para mim e eu já havia entendido o que ele queria fazer.
— Eu não sei se é uma boa ideia... — segurei-o pelo braço e ele sequer reagiu.
— Não vou falar nada demais. Eu só vou fazer uma pergunta. — ele encolheu os ombros e o libertei, um pouco curioso para sua abordagem.
Chegamos de fininho e as moças logo se atentaram em nós dois. Olhavam-nos sem qualquer brilho, apenas esperando que falássemos algo.
— Bom dia, meninas. — quando disse aquelas palavras, eu fui capaz de ver o próprio Louis a interpelar as garotas. Era como se ele escondesse aquele lado muito bem e usasse quando lhe conviesse — Quando vocês visitarão a Melissa?
— Estávamos pensando em ir hoje à tarde — disse Tess, cabisbaixa.
— Vocês não têm ideia de qual o problema dela? — continuou ele, ainda em sua educação ao estilo Louis.
— Não. — respondeu Mandy — Mel estava ótima no dia de ontem. Até tocou piano para nós duas.
A outra balançou a cabeça, confirmando as palavras da amiga. Eu me limitei apenas a ouvir a conversa... Não queria acabar estragando os “planos” de Philippe, eu ainda não entendia onde ele queria chegar com aquelas perguntas.
— Amanhã vocês podem nos dizer como ela está?
— Sim! — as duas responderam ao mesmo tempo, muito prestativas.
— Falem com ela que mandamos melhoras... — completei, para que soasse mais educado e menos suspeito.
— Obrigada. — Mandy sorriu e parecia até um pouco mais corada com nossas palavras.
Tess olhou-nos de cima a baixo, como se ponderasse algo sobre nós dois. E o que se seguiu foi assim como eu imaginava.
— É estranho que vocês se tornaram amigos tão rápido.  — comentou ela, vagamente.
Eu e Philippe nos entreolhamos. Sabíamos muito um do outro e isso nos conectava instantaneamente... Porém, de certa forma, nos dávamos bem em muitos pontos.
— Apenas nos entendemos bem. — respondeu Philippe, e eu via em sua expressão sua vontade imensa de rir.
— É isso mesmo, além do que ele sempre me ajuda nos cálculos.
     Nós dois rimos juntos e as meninas nos observaram, estranhando nossa reação.
     O sinal tocou novamente e seguimos novamente para a sala de aula, a fim de voltarmos para a aula. Sinceramente, eu não tinha vontade alguma de continuar, aquela vontade insana de "matar" uma aula me dominou completamente. Porém, antes que eu percebesse, estava sentando em minha carteira, ouvindo sobre planaltos e planícies, Philippe dormia ao meu lado.

2 comentários:

  1. Bem todos na escola estam suspeitando de algo
    O philippe ao poucos tambem se vai parecendo com o irmao so nunca o imaginaria a dormir em aula

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    Respostas
    1. Sim, todo mundo achou os acontecimentos muito estranhos!
      kkkkkkkk Lippe ainda tem lados inexplorados... É um dos meus favoritos!

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