2.11.17

Red District This Side of the Moon 19 por C.C & Mel Kiryu

                                                 

                    Prólogo por C.C

Porque razão não lhe bati? Para além de não merecer o meu tempo não queria assustar Lawrence com um dos meus lados mais negros. É claro que ficara surpreendida por encontrá-lo num lugar tão aleatório como um simples posto de gasolina onde parei por acaso sendo que fôra o primeiro que avistara. Foi visível no seu olhar brilhante a felicidade ao me ver mas infelizmente a sua companhia impossibilitou que pudéssemos trocar qualquer palavra. Mais tarde entendi o porquê. Mesmo assim aquele individuo não perdeu a oportunidade de destilar veneno e, claro, provocar-me.

- Há quanto tempo... Não estive com você na última vez que pisou na Houkan House, Akatsuki.
O nome proferido ecoou nos meus ouvidos como uma bofetada. Ele podia ter ignorado a minha presença, fazer de conta que éramos apenas dois estranhos a atestar o tanque do carro com combustível, mas não. O Lawrence estava lá, escondido atrás dele tentando fingir que eu não passava de uma outra pessoa qualquer, e por isso chamou-me por aquele nome. Pois sabia que mais tarde seria questionado e teria todas as desculpas para contar que eu fôra um michê.
- Não me voltes a chamar assim. - A minha voz saiu fria e em tom de ameaça. O olhar assassino devia tê-lo afastado e quando me apercebi que apenas assustara o pobre rapaz ainda atrás dele relaxei.
Esse foi o pretexto perfeito para que o mandasse entrar no carro.
Prossegui até à caixa para pagar e julgando que o nosso encontro caricato acabara ali quando ele fez questão de se aproximar novamente:
- Esqueça o Lawrence, ele pertence à Houkan House. - Kirisawa maldito, estava mesmo a testar a minha paciência. E num gesto que mais que espanto me enfureceu ele tocou numa mecha do meu cabelo. - E antes que eu me esqueça... Seu visual era muito mais atraente com as madeixas como as de Tsubaki.
Merecia um prémio por não lhe ter partido os dentes ali mesmo. Não só usou o meu nome de michê como ainda teve a coragem de referir o nome da minha mãe.
- Para que é tudo isto? Não me digas que a Okaasan deixou de te dar colo, Natsume-chan.
Pude ver a faísca de raiva latente no seu olhar ao ouvir também ele um nome que de certeza não ouviria à anos, o seu nome.
Entrei no carro sem dar espaço para nova resposta e conduzi de volta ao Host.
Ao chegar lá fui logo barrado por um dos rapazes que me entregou um papel. Segundo ele tinha-o encontrado no chão quando entrara, sendo óbvio que alguém o lançara por baixo da fresta da porta.
A letra de fora era me desconhecida tendo apenas escrito "MASTER". Mas o conteúdo do interior esclarecera muitas das minhas dúvidas.

"Não sei quando poderei te encontrar, estou sendo vigiado. 
Kirisawa desconfia sobre nós dois... Sentirei imenso sua falta. 
Com imensurável afeto
Lawrence"

                                                                        Capitulo 19

Tinha ido passar a noite a casa pois há já alguns dias que não dormia uma boa noite de sono. Era tranquilizante acordar no silêncio do meu quarto, levantar-me e preparar um café. O aroma amargo pairava no ar e isso relaxava-me de uma maneira especial dando espaço ao meu cérebro para processar tudo com mais calma e assertividade.
Uma batida forte e desesperada na porta puxa-me de volta ao mundo atiçando uma ponta de má disposição. Baterem-me à porta logo de manhã só podia ser significado de sarilhos.
Desloquei-me até à entrada e quase cuspi o café que acabara de levar à boca ao abrir a porta e encontrar Haru e uma jovem rapariga, que eu me lembrava de ver no shopping a acompanhar Lawrence, completamente ofegantes. Não tive tempo de dizer nada pois fui empurrado de volta para dentro da minha casa ouvindo o estrondo da porta a fechar-se.
- Temos de ser rápidos por isso vai vestir-te e anda. - Haru continuava a empurrar-me sem dar espaço para outras manobras.
Pousei a caneca sobre o balcão da cozinha e enrijeci o corpo evitando que ele continuasse a mover-me:
- Vamos ter calma. Vocês os dois sentem-se. Se faz favor.
Eles obedeceram após confirmarem pelo meu olhar que não estava a brincar. Servi um pouco de café a ambos e incentivei-os a contar-me o que raio se passava para sofrer aquela invasão matutina e para a presença daquela pessoa que definitivamente não devia estar aqui.
- À bocado quando cheguei ao Paradise encontrei esta rapariga e a Mifan à porta das traseiras com o Jin. Estavam a perguntar por ti e queriam mesmo falar contigo e o coitado do rapaz insistia que não estavas lá. Quando perguntei o que se passava elas só disseram que era urgente e que não tinham muito tempo por isso peguei o casaco emprestado ao Jin para ela vestir, por causo do frio e de não ser reconhecida, enfiei-lhe o meu capacete e viemos a voar até aqui na minha moto.
- Espera lá, disseste que ela estava com a Mifan?
- Ah, deixámo-la no Host com o Jin. Juro que ninguém nos viu.
- Haru, - Suspirei pesadamente quebrando por completo o que restava do meu relaxamento. - andaste a fumar erva outra vez?
- Claro que não! Sabes bem que me deixei disso.
- Então o que é que te deu para trazeres uma das raparigas da Houkan House a minha casa? Não sei se sabes mas há uma invenção bastante útil chamada telemóvel!
- Foi uma emergência! Naquele momento pareceu uma boa ideia! Esquece os pormenores e ouve. E se eu tiver apanhado alguma multa pagas tu.
Ignorei-o e virei a minha atenção para a rapariga que observava tudo em silêncio. Pela cara dela também achara boa ideia, até aquele momento.
- É sobre o Lawrence... Ontem à noite reparei que ele estava distante de tudo, acho que estava triste... Mas, isso não é o mais importante... Foi o que aconteceu quando ele estava com dois clientes que eu nunca tinha visto no lar Houkan... - A rapariga baixou a cabeça, parecia tentar escolher as palavras certas. Em contrapartida a minha expressão mantinha-se impassível. - Lawrence não voltou ao camarim, como de costume... Fiquei preocupada e saí junto com Kirisawa a procurá-lo... Foi Kirisawa que descobriu que Law ainda estava no aposento, desacordado e muito machucado...
- Define "muito machucado"? - A voz fria fê-los gelar no sofá. Uma centelha de raiva começava a surgir.
- Havia marcas por todo o corpo dele...hematomas, acho que pequenas queimaduras... - O sofrimento na face dela era visível como se estivesse a testemunhar ela própria o sucedido, a receber a mesma dor. - E havia sangue escorrendo em escoriações na lombar. Sei que demorou a recobrar os sentidos... Mas, quando acordou, o Law me disse que os dois homens o torturaram e violentaram seu corpo.
Ela negava-me o olhar cabisbaixo. Em algum momento, sem perceber, partira a asa da minha caneca e não partira a própria porque era demasiado grossa mas tinha a mão branca de tanta força que exercia nela.
- Qual é o teu nome? - Tentei soar menos zangado para não a assustar.
- Xiao Hua...
- Obrigado Xiao Hua, sei que foi preciso muita coragem para vires até aqui. - Afaguei-lhe o cabelo tentando acalmá-la. - Mas por favor, não voltes a andar de moto com este doido.
Ela sorriu timidamente e pude ver o ar furioso de Haru desanuviar também um pouco.
- Haru, leva-a de volta e manda-as para a Houkan House. Sê discreto.  - Virei-me para ela. - Espero que sejas boa a mentir porque aconteça o que acontecer tu nunca me viste, entendes?
Ela assentiu.
- E tu? - Haru vestia já o casaco e abria a porta.
- Eu vou arranjar-me. Qualquer coisa, o Paradise está nas tuas mãos parceiro.
- Detesto quando vais à procura de briga sem mim mas faz-me um favor, parte uns ossos por mim.
Despedimo-nos e passado alguns minutos já conduzia o meu carro em direção ao Red Distrit descarregando a raiva acumulada no pedal de aceleração fazendo o conta quilómetros marcar números que nunca marcara antes.
Parei o carro em frente à porta da Houkan House e adentrei o lugar. As pessoas observavam-me mas ignorei-as, eu conhecia o sitio não precisava que me levassem ou me dessem permissão. Quando alcancei os corredores vários michês tentaram parar-me dizendo que não podia estar ali e que tinha de ser razoável.
- Eu quero ver o Lawrence. Agora!
O silêncio instalou-se de repente. O som de passos a aproximar-se fazia tremer os rapazes ao meu lado. Um dia também eu tremera, mas não mais.
A testa enrugada provava o quão furiosa se encontrava, eu estava novamente afrontá-la.
- Quem te deu permissão para entrar aqui assim?! Saia daqui! Se não sair chamo a policia!
Fúria. Podia reconhecer apenas fúria na voz daquela mulher. Talvez fosse inocência minha achar que ela se preocuparia com o Lawrence ao ponto de esquecer por enquanto as nossas antigas desavenças e me deixar vê-lo ou até que agora frente a frente depois de quatro anos existiria algo mais que ressentimento. Mas a Okaasan não passava de um dragão enfurecido e tal como nunca a alcançaram antes também não seria agora que os meus sentimentos a alcançariam.
Estava a ponto de lhe responder quando alguém familiar apareceu por trás dela tocando em um dos seus ombros e em tom calmo, oferecendo-me um olhar que eu há muito não via, afirmou:
- Pode deixar comigo... Eu dou conta do nosso intruso.

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