13.1.18

Devalli Demons Capítulo 66 por Golden Moon


Capítulo 66

O toque de Dylan tornou-se ainda mais voraz e parecia que ele queria unir seu corpo ao meu para que nada de mal acontecesse a mim. A criatura grotesca continuava a me observar como se a presença de Dylan e toda sua grandeza de criatura demoníaca fossem insignificantes naquele momento. Uma tensão inexplicável me dominava e, se não fosse pelo toque intenso de Dylan, a única resposta que eu conseguiria articular seria gritar... E correr para bem longe daquela floresta, mesmo sabendo que decretava minha sentença de morte.


— Erin? — foi a única palavra que consegui tirar da minha boca.

— Reconhece seu titio? — ele se aproximou um pouco mais, levantando as mãos para os céus. Eu não conseguia discernir muito bem seu rosto. As veias e o aspecto muito branco o deformavam.

— Afaste-se — disse Dylan, dando um passo para trás, levando-me consigo.

— Você não é um prodígio? — o olhar avermelhado de Erin apertou-se e ele continuava a sorrir, mas agora era de lado, daquele jeito que me agoniava ao extremo.

— Se você der mais um passo, eu vou faço esse titulo valer a pena. — naquele momento, a voz de Dylan soou tão assustadora que eu tive de olhar para ele para ler a sua expressão e quase me arrependia disto. As escamas em seu rosto pareciam aumentar e também em suas mãos. Aquilo tudo começava a me deixar ainda mais amedrontado.

— Não precisa se preocupar. — ele balançou a cabeça de forma cínica. Eu pensei que ele se aproximaria mais, só que Erin com certeza sabia do poder que Dylan tinha e não ousaria desafiá-lo mais. — eu só quero saber o que meu querido sobrinho fazia com você naquela carruagem.

Eu sabia que ele me questionaria sobre aquilo e.. Realmente, eu nada poderia lhe dizer.

— Não é da sua conta, Erin. — não consegui mais sustentar o olhar sobre ele e pouco depois de abaixar a cabeça, eu pude ouvir seu riso estridente ecoar pela floresta.

— Não é da minha conta? O que seu pai acharia de saber que você é um invertido? — a voz dele tornou-se mais eloqüente e eu pude perceber em seus pés que ele hesitava em dar mais um passo para me confrontar. Erin realmente tinha medo de Dylan, e eu deveria usar isto como meu escudo.

— O que ele acharia em saber que foi você quem matou aquelas pessoas no ataque? — também aumentei meu tom de voz e Dylan me observou, como se me parabenizasse pelas palavras.

— Ele nunca acreditaria em você. Fizeste questão de desvalorizar a si mesmo. — o olhar dele recaia em mim de forma discriminatória, felina. Seu desejo de me atingir foi efetivado com sucesso.

— É melhor você ficar quieto — senti a mão de Dylan desatar do meu corpo e ele se colocou a minha frente, como se adivinhasse que eu não sabia mais o que dizer. — se disser qualquer coisa que atinja o William, é comigo que você terá de se resolver.

— Sua família sabe disso?

Ele novamente hesitou dar um passo à frente, o corpo repelia a si próprio, voltando imediatamente. Eu não tinha noção alguma do quanto Dylan era perigoso para Erin ficar daquele jeito.

— Não é do seu interesse. — Dylan respondeu como se soubesse onde Erin queria chegar com aquela pergunta. As escamas em seu rosto iam e voltavam em uma velocidade incrível, e as extremidades de seu rosto, naquele momento, estavam cheias delas.

Os olhos de Erin apertaram-se e eu, por cima dos ombros largos de Dylan, encarava-o consciente do medo que pairava em meu olhar. Parecia que uma aura dominava o ambiente e este se tornava cada vez mais ameaçadora.

— William está o tempo inteiro perto de nós... – a voz de Erin soou como um murmúrio quase surdo e as escamas de Dylan estavam ainda mais vívidas em seu rosto. – ele pode muito bem ser...

Antes mesmo que Erin terminasse aquela frase, o vulto cego de Dylan escapou das minhas vistas e logo um barulho estrondoso se fez em meio da floresta e, quando percebi, Erin não estava mais à minha frente. Um rastro malfeito se estendia em meio a trilha e um barulho de folhas surgia a poucos metros dali. Minhas pernas, de modo quase inconsciente, seguiram para onde o barulho apontava e eu tive medo do que poderia encontrar... Não gostaria de ver os dois em plena luta corporal.

Entretanto, ao mesmo tempo em que os olhos me condenassem, não conseguia tirar a atenção da cena à minha frente. Os dois jaziam ao chão, entretanto, Dylan estava por cima, e seu olhar brilhava em um vibrante vermelho. As garras se agarravam ao pescoço de Erin, que estava praticamente roxo ao sentir o peso e a força das mãos de Dylan. Seus braços pareciam ter caminhos tortuosos formados por veias, pintados de escamas negras que dominavam cada vez mais o corpo robusto.

Era uma visão do Dylan que talvez eu não quisesse ter.

— Dylan! — gritei, mas de forma inútil. Dylan sequer olhou para mim e continuou a apertar o pescoço de Erin cada vez mais... Parecia haver algum prazer em fazer aquilo.

Não pensei mais em gritar para ele, mas pelo peso de minha consciência e o cansaço que sentia naquele momento, minhas pernas começaram a tremer e, pendi ao chão, ajoelhado, ainda observando aquela cena que me desesperava ao extremo. Eu não conseguia sentir raiva ou incentivar Dylan a continuar a esganar o meu tio... Mas ao mesmo tempo não sabia dizer se queria que ele parasse, algo em mim não conseguia articular uma resposta ou sentimento que não fosse confuso e nebuloso. Era apenas um desespero que me dominava e os segundos que se seguiam passavam como uma eternidade.

Finalmente, Dylan soltou o pescoço de Erin e a silhueta roxa voou para longe. As asas distendidas de meu namorado se fecharam e, aos poucos, ele voltava ao seu aspecto humano e o olhar brilhante em esmeralda recaiu sobre mim, que continuava de joelhos dobrados ao chão. Os olhos fixos no meu predador, que agora, talvez, eu conhecia sua face mais odiosa. Aquela que talvez até mesmo ele gostasse de esconder.

— Desculpe, Will... — mesmo que um pouco longe, a voz dele soou suficientemente audível para mim.

Por um momento, pensei que Dylan fugiria novamente, entretanto, para a minha surpresa, ele se aproximou lentamente, e estendeu a mão para mim, a fim de me ajudar a levantar. Durante alguns segundos, eu olhei para a sua mão, sem conseguir acreditar que hesitava em segurá-la. Só que.. meu desejo e confiança por ele falaram mais alto e simplesmente agarrei a sua mão, ciente que Dylan não me faria mal algum.

Ele segurou o meu queixo e continuou a me encarar, um pouco mais sério do que qualquer momento que tínhamos passado juntos. Senti seu beijo leve em meus lábios e o aceitei sem pestanejar.

— Não queria que sentisse medo de mim... Nunca. — murmurou, bem perto de mim, sabendo o que eu havia sentido poucos minutos atrás.

Eu o magoava... Novamente? Mas eu não podia evitar... Novamente.

— Desculpe-me, Dylan... Mas... — comecei, sem mais conseguir encarar o olhar dele. — eu não posso evitar.

— Eu sei. — ao sentir suas mãos soltarem o meu rosto, eu simplesmente deixei cair o olhar para o chão... Dylan parecia distante de mim e era o que eu menos queria no momento. — nunca deveria ter colocado você nessa situação... Mas também não pude evitar.

Ao ouvir aquelas palavras, uma onda de fervor me dominou repentinamente e consegui olhar para Dylan de novo.

— Eu permiti! Mas nenhum de nós dois tem culpa disso. — aumentei o tom de voz, sem me preocupar se soava rude ou não, mesmo que o olhar de Dylan fosse extremamente manso naquele momento. Como se ele deixasse de ser um felino grande e bravo para um gatinho manso, em poucos instantes. — o que você ou eu poderíamos fazer?

Queria chorar, mas parecia que meu corpo estava seco de lágrimas naquele momento. Minhas mãos apertavam-se e os lábios tremiam. Não sabia de onde vinha aquele sentimento estranho que me dominava, mas não tentei freá-lo em nenhum momento.

Dylan voltou a segurar o meu rosto novamente, porém, dessa vez, ele não me beijou. Apenas roçou o seu nariz no meu, como se tentasse neutralizar aquele afeto que tomava conta de mim. Mantinha seus olhos fechados, talvez não quisesse me encarar. Segurei-me em suas vestimentas, pedindo para o universo, os deuses, as forças da natureza, qualquer ser místico que eu duvidava da existência, que nos acolhessem e não matassem o nosso amor tão cedo.

2 comentários:

  1. esse capitulo foi empolgante de tanta ação!
    aue nada os afete!
    nem o Erin... -.-"

    ResponderExcluir
  2. Obrigada, Rima! Os capítulos que estou escrevendo agora são ação pura kkkkk espero que vá gostar ^_^
    Obrigada :-*

    ResponderExcluir

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