6.1.18

Red District This Side of the Moon 27 por C.C & Mel Kiryu


Prólogo por C.C

Um sonho. Era como eu me imaginava sempre que ia até aquela casa. Fogueira no Inverno, mesa na varanda no Verão, para uma criança de cinco anos tudo aquilo parecia saído de dentro de um sonho.
A casa fôra comprada pelo meu pai como presente de aniversário para a minha mãe que antes de ser obrigada a vender-se vivia num sitio cercado por floresta idêntico aquele.
Os olhos brilhantes e o sorriso radiante faziam-me acreditar que a princesa finalmente voltara ao seu castelo. Os momentos mais felizes da minha infância haviam sido passados naquela casa de campo estilo rústico e com a morte de ambos os meus pais, mesmo atormentado pelo amontoado de lembranças, recusei desfazer-me dela, o pequeno palácio da minha mãe.
Foi durante a conversa com Lawrence que me recordei dela e achei que seria o sitio para o esconder. Só eu conhecia o lugar e por ser afastado da cidade os rumores obscuros não chegariam até lá.
Foi com alguma dificuldade que o deixei sozinho, mas não podia levantar suspeitas e já sabia que eu seria um dos alvos a manter sob vigia por isso teria de manter a minha rotina o mais normal possível ou poderia acabar seguido. E não podia esquecer-me que não era a minha segurança que estava em jogo.

                                           Capitulo 27

A mensagem tinha sido recebida quando ia a caminho da casa de campo mas como não queria chamar a atenção do Lawrence ignorei-a até ter voltado ao carro para iniciar a viagem de volta ao Red Distrit. Ele parecia receoso em ser deixado sozinho e não pretendia aumentar esses nervos caso ele se apercebesse do que se tratava.
Ao entrar na estrada principal fiz um ligeiro desvio contornando o distrito do prazer por ruas e caminhos secundários acabando por ir dar a uma zona de antigas fábricas agora abandonadas. Os edifícios velhos e desgastes ameaçavam ruir a qualquer momento, mesmo assim várias pessoas ligadas à clandestinidade usavam-nos para realizar trocas, pagamentos e até acertos de contas.
O chão gemia a cada passo que eu dava e não foi difícil encontrar quem andava à procura. Algures escondido por um dos grandes pilares que sustentavam a construção um grupo resumido de pessoas aguardava pela chegada do último elemento que compunha aquela pequena reunião. Na verdade pareciam já se ter adiantado e exposto o assunto por mim. Um homem deitado no chão sangrava do lábio e nariz e agarrava-se ao próprio corpo como se, muito possivelmente acontecera, tivesse levado um murro no estômago. Apenas dois rapazes se encontravam de pé perto dele.
- Ren, Watari. - Cumprimentei juntando-me a eles.
- Oh, Master. Desculpa, tivemos de começar sem ti, o nosso convidado estava impaciente. - Ren observava o homem a contorcer-se de dor com um sorriso.
- Foi bem difícil encontrá-lo. Quando me pediste para usar os meus antigos contatos quase não acreditei já que foste o primeiro a fazer-me afastar daquele mundo. - Watari olhava-me nos olhos tentando entender as minhas razões.
- Eu sei Watari, mas está muita coisa em jogo e se eu fosse pelos meios normais ia acabar por perder. É preciso lutar fogo com fogo e tu eras a minha única hipótese.
- Master, sabes que todos nós somos muito gratos pelo que fizeste por nós e daríamos a vida por ti se assim tiver de ser mas...
- Ele vale assim tão a pena?
Eles terminaram o pensamento um do outro. Watari e Ren eram quase como irmãos e eu trouxera-os para o Host ao mesmo tempo tirando-os de um mundo onde quase perderam a vida por dinheiro que nem sequer tinham visto. Para além de serem dos membros mais antigos eram também aqueles a quem podia recorrer quando o assunto requeria uma pitada de violência.
Coloquei uma mão sobre um ombro de cada um sorrindo. Era o suficiente para eles entenderem a mensagem e retribuírem o gesto.
Tirei o casaco do fato que trazia vestido pendurando-o num prego saliente do pilar da construção, arregacei as mangas da camisa e sem retirar as luvas baixei-me ao lado do homem agarrando-o pelos cabelos e erguendo-o do chão até ficar ao alcance do meu rosto.
- Vamos ser rápidos. Só preciso que me respondas a algumas perguntas pode ser?
Ele acentiu. Os olhos semicerrados demosntravam as dores que deveria estar a sentir.
- Fumas? - A confusão espelhava-se na sua face com a questão invulgar mas fiz pressão no cabelo e ele acabou por assentir afirmativamente. - Conheces a Houkan House? - Um novo sim. - E por acaso costumas frequentar com os teus amigos?
O choque apoderou-se dele. Afinal não era tão burro quanto parecia. Nem precisei de referir o Lawrence para ele entender do que se tratava aquele encontro. Começou a debater-se tentando soltar-se em vão pois Ren desferiu-lhe um murro certeiro na cara sussurrando-lhe "quietinho". Continuei o inquérito:
- Sabes, ouvi dizer que na tua última visita divertiste-te imenso com o teu colega, será que me podias indicar o nome do michê que vos presenteou com tal divertimento? - Silêncio. Os olhos aterrorizados esforçavam-se para não derramar uma lágrima. Bati com a cabeça dele no chão sujo não com a força que o deixasse inconsciente mas com o suficiente para que doesse, muito. - Fala.
- E-Eu não sei... Não me lembro... Foi o Ikuta que tratou de tudo... Ele era jovem e tinha olhos verdes e o cabelo longo. Juro que não sei mais nada!
- Hum... Rapazes, algum de vocês tem cigarros?
- Eu! - Ren tira o maço do bolso entregando-me um cigarro aceso naquele instante.
- Sabias que os olhos são dos órgãos mais sensíveis do nosso corpo? Pergunto-me o que aconteceria se eu apagasse este cigarro num dos teus olhos. De certeza que doía mais do que nas costas ou na barriga....
- E se gritasses eu podia chicotear-te com isto para te calares. - Watari começa a tirar o cinto das calças.
De aterrorizado ele passara a horrorizado. O cheiro da nicotina pairava no ar e podia jurar que o homem estava a ponto de se mijar e implorar por misericórdia. Dei-lhe uma estalda para que voltasse a focar-se em mim.
- Recompõe-te homem! Suponho que tenhas entendido a mensagem, estou certo? - A cabeça abanou freneticamente, as lágrimas a correr sem controlo. - Muito bem, estes dois rapazes agora vão levar-te a um sitio muito longe de onde eu espero que tenhas o bom senso de não voltar. Estamos entendidos?
Vi-o voltar a acenar antes de o largar de vez e começar a vestir-me.
- Oh, esqueceste-te de apagar a beata, não pode ser ainda provocas um incêndio. - Ren pega o cigarro quase consumido e pressiona-o contra a testa do homem que grita levando as mão à cabeça e caindo de seguida ao sofrer um forte murro no estômago de Watari que o deixa inconsciente. - Assim está melhor.
- Há uma carga de contentores com tecidos que sai daqui a duas horas para a Tailândia. Já lhe compramos bilhete só de ida. - Watari pega no corpo inanimado passando-o a Ren que o coloca ao ombro.
- Ótimo. Precisam de boleia?
- Não, pedimos o carro emprestado a este cavalheiro. Encontramo-nos daqui a pouco no clube.
- Como queiram. Obrigado pela ajuda.
- É sempre um prazer ver-te a ser mau Master. - Ren pisca o olho.
- Que bom que gostaram. - Ah, Watari tens sangue na camisola.
Ele suspira. O golpe final fizera com que o homem cuspisse sangue para a sua camisola. O rapaz despe-a embrulhando-a num nó e cumprimentando-me numa despedida breve virando costas. Costas essas que envergavam a tatuagem de uma cobra que começava na coxa esquerda até ao ombro direito num entrelaçar de cores e padrões. O simbolo e a prova que não o deixava esquecer de onde vinha, o mundo da máfia.
A noite no Paradise foi tranquila e como se nada tivesse ocorrido ao fechar da noite saí sorrateiramente indo em direção ao meu apartamento para depois me desviar de volta à casa de campo. A casa que se tornara o cofre que guardava o meu tesouro.

9 comentários:

  1. Nossa, não imaginava que o Master faria algo do tipo :O Mas bem que o cara mereceu por ter mexido com Law (+_+)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sabe que nem eu, Golden?... Quando li esse capítulo da C.C, fiquei literalmente de careta. Tive que ler duas vezes até.

      Excluir
  2. Kkkkkk fiquei tipo "Master, é você mesmo?" é um lado mal que eu nunca imaginei nele. E ainda mandar o cara pra Tailândia? Trilouco

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Porque eu penso que ele é tão gentil com o Lawrence... Ainda bem que esse lado do Master não aflora com frequência! :/
      Você fez seu avatar no Rinmaru Games?

      Excluir
    2. Siim, as faces de Master nos surpreendem!
      Fiz há um bom tempo no Rinmaru games, Zeenon e Freyr ^_^ sempre quis um desenho dos dois (na verdade de todos os meus personagens kkk, mas eles são especiais) Porém não tenho como encomendar com artistas kk

      Excluir
    3. Me surpreende até hoje menina, e olha que a C.C e eu já passamos do capítulo 140. :P
      Mas, o Hagane também tem seu lado vingativo... Ele vai atrás do outro homem que violentou o Lawrence.
      Ah! Sério? Os personagens da sua estória postada no Nyah?... Own! Que amor... Também recorro ao Rinmaru, às vezes. ^^"
      Já fiz o Lang e o Katsuo também. :)

      Excluir
    4. 140 :O Nossa!! Quanto pique!
      Do Hagane eu já imaginava, hum! Espero que esses crápulas paguem pelo que fizeram com o Law :'(

      Siim, de Golden Rose <3 Já fiz várias deles usando o RinMaru, quero fazer de Devalli Demons qualquer dia desses.

      Excluir
  3. boa noite Mel estava roendo as unhas. pensei nossa mel nao vai mais postar, estou desde do mes de dezembro vendo se voce ja tinha postado algum capitulo. cada vez fico apaixonada pelo master. Melsinha cade o yuki estou com saudade

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vou sim, Dineia. Eu posso dar umas sumidas, mas eu reapareço.
      Também gosto do Master. ^^"
      O Yuki, né? Uma hora ele reaparece, pode deixar. ^^"

      Excluir

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...