11.2.18

Devalli Demons Capítulo 69 por Golden Moon


Capítulo 69 

Finalmente, aquele dia pavoroso chegou.

Levantei-me da cama como tal qual um morto que se levanta de um caixão. Naquela noite, meu sono foi tão pesado e inquieto, que eu mal conseguia me recordar de qualquer passagem dos meus sonhos. Quando conferi o relógio na cabeceira da cama, ainda não eram nem quatro e meia da manhã. Considerando que eu tinha ido dormir extremamente cedo na noite anterior, já deveria prever que aquilo aconteceria. Porém, não consegui deixar de sentir um mau humor terrível e segui para a janela, tentado a assistir o nascer do sol.



Porém, novamente, assim como naquele outro dia, uma terrível mancha roxa se estendia pela floresta. A diferença era que eu não consegui me amedrontar por ela. Agora, parecia até bonita pairando sobre a copa das arvores... Como uma grande nuvem pintada de orquídeas. Eu só não gostava do modo como ela deixava o horizonte turvo, incerto... Assim como minha vida estava naquele momento. Era incômodo sentir que aquela visão era o que eu sentia por dentro... Passei de volta ao quarto, recolhendo-me novamente em minha cama.

De tal modo que acabei por adormecer novamente. Entretanto, o sono não foi inquieto como o anterior, mas tive belos sonhos com Dylan, minha mãe, Arthur... Até mesmo Philippe apareceu em nossos momentos na biblioteca. Talvez, a minha mente tentasse resgatar aqueles momentos agradáveis para que eu me estabilizasse e conseguisse passar por aquela noite da melhor forma possível.

Quando despertei novamente, senti que o humor já tinha melhorado e o barulho da cozinha e vozes ressoavam por toda casa.

Para minha infelicidade, tínhamos decido na noite anterior passar o dia na casa do meu tio. Poucas horas depois de acordados, estávamos a caminho da cidade, mas nem mesmo aquilo conseguiu abalar tanto o meu humor. Tentaria dar uma escapada durante a tarde para ir a casa dos Devalli, se é que eles estivessem por lá, mas não custava muito tentar.

A casa dos Seymour continuava com os tons insossos e as falsidades de sempre. Antes mesmo de chegarmos aos pequenos portões de aço da casa, Ingrid e Stefan estavam parados à frente da casa nos esperando, como se soubessem o horário exato de nossa chegada.

Fui o primeiro a descer e não pude deixar de notar o olhar um pouco espantado de Ingrid e o cruzar de braços de Stefan... Comecei a me perguntar... Será que eles não esperavam a minha presença? Era um pouco estranho de suas partes.

— Bom dia. — cumprimentei-os apenas com o gesto discreto com a cabeça e parti para os jardins, sendo seguido por meu irmão.

Eu nem precisava olhar para trás: o olhar felino de Ingrid seguia os meus passos e eu, nem por um milésimo de segundo, consegui sentir medo. Muito pelo contrário, estava lívido, passando pela porta da casa como se fosse a minha própria. Erin e Lilian estavam em meio à sala de estar e apenas o primeiro me cumprimentou. Sua esposa, ainda rancorosa por minhas palavras — e com razão, eu pouco me importava — olhou-me da cabeça aos pés sem dizer uma única palavra.

— Alegra-me vê-lo aqui, William — disse meu tio, com seu ar irônico.

— Eu espero que seja uma boa noite a todos. — completei, para não aparentar ser deselegante.

Meus pais chegaram logo depois e quando olhei para trás, deparei-me aos olhos pasmos da minha mãe, como se ela temesse o fato de que eu estava sozinho com meus tios. Mas nada de mal poderia acontecer ali, naquele momento. Por enquanto, eu queria paz.

Jasmim colocou-se ao meu lado, ainda com seus olhos um pouco arregalados,  sua voz saiu tão baixa que foi difícil até para mim, ouvir o que dizia,

— Tente evitar confusões, William. — eu sabia quão ameaçadora Jasmim poderia ser em alguns momentos, mas aquele aviso não deveria ser somente para mim. Ali, eu não era o único que procurava fagulhas.

— Diz isso para sua irmã, também. — cruzei os braços, visivelmente chateado e arfou, como se desse por vencida.

Jasmim conhecia os ímpetos de sua irmã e ela sabia que eu não me calaria... Por enquanto, não procuraria confusões, mas se ela tentasse algo comigo, eu não ficaria quieto.

Por mais incrível que parecesse, passei pelo almoço de forma bastante agradável.. minha tia não destilou venenos, Gilbert parecia quieto em seu canto e Jim sequer prestava atenção em minha presença… eu estava em paz, invisível, era assim mesmo eu gostaria de ficar.

Quando o almoço findou, Jim e Erin saíram para ficarem a par dos preparativos, e suas esposas ficaram em casa discutindo sobre vestidos e outras coisas irrelevantes para mim. Era o momento perfeito para ir aos Devalli.

Avisei a minha mãe que daria um passeio breve pela cidade e ela pouco se importou com o meu aviso, dado que estava excitada por conta do baile.

Saí a varanda e, logo de cara, dei-me com Stefan que estava sentado em uma poltrona reclinável, observando o movimento pacato das ruas. Junto às flores brancas do jardim, estava Ingrid, maldizendo as formigas que comiam as folhas..

Quando viram o movimento da porta, automaticamente viraram para mim e comecei a me sentir desconfortável em não ser mais invisível. Entretanto, apenas os cumprimentei com a cabeça e procurei começar andar, atravessando a varanda,

—Onde vai, William?— disse Stefan.. quando virei para ele, seus olhos castanhos curiosos me observavam com interesse.

A primeira resposta que se passou em minha cabeça foi “não é da sua conta”, mas não era o momento de ser desagradável.

— Dar um passeio pela cidade.. Quem saber ver um amigo. — levantei as sobrancelhas ao terminar a minha frase... Sem mais medo algo de dizer algo. Estávamos todos em um mesmo jogo.

Ele sorriu para mim e, quando retornei ao meu caminho novamente, Ingrid não deixou escapar seu olhar de mim em nem um momento. Por um momento, pensei que seu olhar não me seguiria somente pelo jardim.



A casa dos Devalli ficava um pouco distante dali, mas eu pouco me importava. Passear um pouco pela cidade seria bom para esfriar a cabeça.  Andei calmamente, mesmo que por algum momento acreditasse que estivesse sendo seguido por alguém… eu já estava acostumado a ser seguido pelo Dylan nos meus caminhos para casa, mas dentro da cidade era um pouco estranho. Deveria ser Ingrid.. ou Stefan, não queria saber.

Talvez fosse loucura minha estar os desafiando daquela forma, mas eles não chegariam perto de mim com Dylan e Elizabeth ao meu lado. Seria loucura da parte deles.

Quando cheguei à Alameda que levava a casa dos Weissman, no meio do caminho, encontro Philippe, com Isis ao seu colo.

Quase tomei um susto ao vê-lo despreocupado daquela maneira, mas minha surpresa passou quando ele sorriu e atravessou a rua, vindo ao meu encontro. Como estava abaixo da copa de uma árvore, que descia pelos muros de uma mansão, resolvi me esconder ali e esperar a sua chegada.

— Como vai, Will?— ele colocou a gata no chão, me observando atenciosamente.

— Eu acho que estou bem, só pensando que poderia ser acompanhado pelos irmãos de Erin…— olhei para os lados, rindo por fora. — O que faz aqui?

Procurei mudar de assunto, vendo que Philippe mal conseguiu se expressar sobre a minha preocupação.

—Meu irmão está descansando, então resolvi passear um pouco com a Isis.

Olhei para baixo e a gatinha parecia uma sentinela próxima ao meio fio da rua.

— Como todos estão, fico um pouco ansioso… — perguntei, sem muitos rodeios. Philippe se encostou à parede e procurei acompanhá-lo, para melhor conversarmos.

— Lizzy parece tranquila… meu irmão saiu a noite inteira, não consegui falar com ele direito — baixou a cabeça, um pouco cabisbaixo — Já Dylan…

Eu me coloque à frente dele, quase de impulso e Philippe continuou inerte em sua posição.

— O que houve com o Dyl? — as palavras espiaram da minha boca com tamanha rapidez que eu quase não respirei entre uma palavra e outra.

— Ele não saiu do quarto.

— Eu posso vê-lo?

— Não sei se é uma boa ideia.. — Philippe virou o rosto, um pouco constrangido.. talvez pelo meu olhar incisivo que o encarava no momento.

— Por favor… Lippe.. Eu preciso apoiá-lo, mesmo sem concordar com seus pensamentos.

Philippe olhou para os dois lados da rua. Sua atitude parecia um pouco estranha para mim, mas eu deveria compreender que ainda que estivéssemos perto da sua casa, corríamos perigo.

— Eu…— ele hesitou, olhando novamente para mim.

— Lippe, por favor.— eu poderia ajoelhar aos seus pés ou fazer qualquer coisa que ele quisesse.

— É que Dylan, em alguns momentos.. — respirou fundo e sua face parecia mais séria naquele momento. — Fica muito agressivo.

Aquelas últimas palavras de Philippe me surpreenderam de certo modo. Eu encostei ainda mais a parede, semicerrando os olhos.

— Como assim? Ele nunca foi agressivo comigo.

— Certas situações despertam o que há de pior nele. E essa é uma delas. — ele cruzou os braços, ainda me encarando — ainda quer vê-lo?

— Claro que sim. — afastei-me da parede e ouvi o miado fino de Isis abaixo dos pés de Philippe. Olhei para baixo e a gata me encarava, como se questionasse algo.

Ao encolher os ombros para mim, Philippe deu-se por vencido.

Deu meia volta, seguido por Isis, e logo estávamos andando, lado a lado, em direção a sua casa.

2 comentários:

  1. Agora fiquei com aquela duvida
    Dylan agressivo? vou ter que esperar pelo proximo capitulo ^^"

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nos próximos capítulos, Will vai conhecer o Dylan como ele nunca o viu...
      Obrigada pelos comentários, Rima-san <3

      Excluir

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