11.2.18

Hoshi wa shitte iru 7 por Rima-san & Mel Kiryu

             
  Prólogo por Mel Kiryu

                Assim que deixamos a Biblioteca, Hans despejou suas lamúrias nos meus ouvidos.
__ Você é inacreditável mesmo... Fugindo da conversa daquele jeito! O Ryouji é um cara legal, sabia?
              Eu dei de ombros e retruquei pouco interessado:
__ Quem é Ryouji?
__ Ah, cara! Estou falando do rapaz que nos atendeu na biblioteca... Por que você recusou ir na casa do prodígio do Kendo? Não querer me apresentar seus amiguinhos que dançam feito menininhas até entendo! Mas o Kinoshita está prestes a conquistar o título de Kyôshi... Entende? Ele será praticante professor!

__ Não ligo para Kendo... Sabe muito bem disso.__ Rebati com desdém.__ Se quer tanto conhecer o Katsuo... Porque não vai até o Dojo Kinoshita? Não precisa de mim para isso.
__ Juro que não entendo.__ Pelo tom de Hans, eu já sabia que ele diria algo bem inútil e desagradável.__ Por que uma pessoa como o Kinoshita se interessaria em ter amizade com alguém como você?
__Tsc... Existem mais coisas no mundo além de Kendo, seu estúpido.
__ U-hum... Não contou a ele sobre dançar nas pontinhas dos pés, contou?
    Evidente que não, a começar pelos membros da minha família, eu sabia muito bem como a maioria poderia ter preconceito ao saber que eu era bailarino. Essa seria a última coisa que eu contaria para Katsuo.
__ Quer saber? Tenho que ir trabalhar...__ Desviei do assunto, me aproximando da faixa para atravessar a rua.
__ Nossa, Lang... Mas, até você sabe o quanto é degradante vestir aquela malha apertada de ballet.__ Hans não perdeu sua deixa para debochar.
     Olhei pela última vez para Hans, antes de atravessar a rua. Havia desprezo na minha voz.
__ 'Tschüss, Hans.__ Tratei de me despedir em alemão, porque ele era péssimo com esse idioma e atravessei a faixa, aproveitando que um motorista havia me dado passagem...

                                                                 ***********
                                                               Capítulo 7
                                         lost is a lovely place to find yourself*
                     
                        Fiquei para morrer quando a chuva despencou junto com o anoitecer.
                       Devia ser a mudança de estação, em uma semana entraria a primavera.
              Eu andava pensando no que tinha ouvido de Ryouji na biblioteca: "Katsuo está passando uma fase ruim, qualquer visita seria boa para ele..."

            O ruído da chuva ficou mais forte, eu podia ouvir suas gotas se chocando continuamente contra os vidros da janela, enquanto uma revista descansava aberta sobre meu rosto e cobria meus olhos. Meu corpo estava estirado em minha cama.
       Fase ruim... Katsuo tinha um problema parecido com o meu, ele não se dava com o irmão. Mas, isso não pode ser considerado fase, é crônico. Não se dar com o irmão é o tipo de situação que se arrasta por anos.
     Essa não era a fase ruim, era outra coisa... O que era então? O jeito calmo de Katsuo existia em parte porque ele andava taciturno? Será que ele me contaria? Ah, que vontade de gritar...
        Por causa do temporal, nessa noite saí sem Vogel e sem minha mãe ou qualquer outra pessoa perceber. Puxei um guarda-chuva qualquer do porta sombrinhas e saí sorrateiramente.
       Eu estava decidido. Se não encontrasse Katsuo na esquina, eu iria até a casa dele... Não devia ser difícil encontrar, Ryouji havia dito que não era distante da biblioteca.
       Quando mais a noite se aprofundava, mais deserto parecia. Via-se mais veículos pelas ruas, mas as calçadas estavam praticamente vazias.
      Eu avançava com o guarda-chuva aberto que pouco adiantava diante a chuva que caía inclinada por causa do vento e fiquei mais ansioso quando comecei a me aproximar daquela esquina onde Katsuo havia esperado por mim no dia anterior.
      Foi aí que vi vindo alguém, eu estava prestes a passar pela cerca branca onde tinha visto aquele gato magrelo e a pessoa cobrindo a cabeça com o capuz já ia passando simplesmente por mim.
    Percebi as feições de Katsuo e o agarrei pelo ombro de repente, puxando-o para o abrigo duvidoso do meu guarda-chuva que aparentava desamparo de tão ensopado.
__ Lang! Eu... Eu precisava mesmo de te ver!__ Agarrou-me pela blusa, ainda mais perto.
__ Eu também queria te encontrar, mas...__ Minha voz soou algo desnorteada.__ Aconteceu alguma coisa?       
__ Eu só...__ Katsuo apertou mais ainda o tecida da minha blusa e uma de suas mão pousou no meu ombro.__ Eu preciso saber...__ Seu rosto se aproximou tanto do meu que nossos narizes se tocaram, os lábios dele quase tocaram os meus.__ Vogel não veio?__ E seu rosto tornou a se afastar do meu, tão subitamente quanto se aproximou.
     Eu não esperava encontrar Katsuo tão agitado e perdido, pendendo ao angustiado. O que eu mais queria era que ele confiasse em mim e não tornasse a se afastar. Por isso, não havia muito a fazer estando nós dois sob o espaço diminuto do guarda-chuva, cercados pelo temporal... Eu toquei seu rosto e fiz com que olhasse mais uma vez em meus olhos.
__ Lang... Eu não sou apenas um estranho para ti?
__ E você acha que duas pessoas que procuram uma pela outra numa noite dessas... São realmente estranhos? E a gente marcou de se encontrar...__ Eu ri de mim mesmo, baixinho... Um pouco nervoso.__ Só sendo louco para não vim.
__ Eu não sei... Mas, mais louco ainda é andar debaixo desta chuva...__ Somente então deixou  escapar um singelo sorriso para mim.
__ Você não quer desabafar um pouco comigo? Ryouji disse que você está passando por uma fase ruim... Pra mim só foi um dos modos dele dizer... Que você está triste.
__ Ryouji exagera... Eu não estou triste...
__ Sabe... Quando eu estava na biblioteca...__ Eu coloquei uma mecha do cabelo de Katsuo para dentro do gorro do casaco.__ Li uma frase num livro e sei lá... Pensei em nós dois.
__ Pensou em nós? Eu... Não tenho feito outra coisa...
     Depois daquele pequeno episódio em meu quarto com minha família naquela manhã... Percebi que havia certa razão no jeito da minha mãe enxergar a situação. 
      Era o terceiro encontro, o segundo que nós dois tínhamos marcado e sim... Era romântico. Eu tinha acabado de ouvir dos lábios dele que andava pensando em mim. 
       Havia um pólo de atração entre nossos olhares e eu repeti o que lera mais cedo... 
__"Perdido... É um lugar adorável para encontrar a si mesmo"...   
__ Perdido... Eu não sei se me encontrei... mas te encontrei.__ Katsuo parecia ter algo mais dizer, mas remeteu se ao silêncio.
      As palavras de Katsuo pareciam mais frágeis, tive receio de me perder dele. Era um sentimento estranho, como se ele fosse uma pipa em que colocasse para voar alto no céu, mas de repente eu temesse que o vento levasse embora... Eu precisava puxa-lo de volta para mim. 
      Desci o capuz molhado que cobria sua cabeça a esquadrinhar seu rosto com o meu olhar... que parou justo em seus lábios.   
      O que eu estava pensando? Ou isso iria concertar as coisas, ou estragar de vez. 
             Só tinha um modo de descobrir.   
      Ele não se afastou quando aproximei um pouco mais meu rosto... Esse foi o ensejo para encaixar meus lábios nos dele... Fechando meus olhos.
     E o beijo era um acerto, soube assim que Katsuo retribuiu o gesto com a sua suavidade comum.
__ Foi como no sonho...__ Ele disse depois que seus lábios se apartaram dos meus e seu rosto repousou no meu ombro.
__ Sonho?... __ Repeti com a voz cava.__ Eu estive em um sonho seu? 
       E tendo sua cabeça em meu ombro, não resisti ao impulso de abraçar Katsuo.
__ Sim... Mas, nós estávamos a ver as estrelas... 
__ Katsuo... Você quer ir para algum lugar se abrigar do temporal?... Pode me contar tudo que tiver vontade.
__ Qualquer sitio serve...__ Katsuo deixou escapar um sorriso tímido segurando na manga do meu casaco.
    Sorri em concordância, estalando um pequeno beijo em seu rosto.
    E esse sorriso tímido dele me instigou a abraça-lo pela cintura, para que seguíssemos bem pertinho um do outro sob o guarda-chuva.
     Deixamos o som da chuva torrencial falar por nós dois durante um tempo, Katsuo ainda segurava forte em minha roupa, até que nos aproximamos do parque... Ainda que as barras de meu jeans pesassem encharcadas e a noite chuvosa pudesse parecer solitária para alguns, para mim era um instante tão raro quanto uma noite com sol.
       Mas, a verdade... É que eu estava fazendo o oposto do que passei a vida toda propondo a mim mesmo.
   


Nota da autora: *Trecho retirado do livro Dirty Pretty Things de Michael Faudet 

5 comentários:

  1. O primeiro beijo. *3*
    Vamos ver como é que eles se vão aproximar agora

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    1. Pois é, C.C! Depois do primeiro beijo, a aproximação fica mais fácil, né? (Ou ao menos, deveria, rsrs...)

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  2. Ah, que fofo! Foi um momento tão singelo <3 espero que os dois se conheçam cada vez mais..

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  3. Respostas
    1. Os momentos entre os dois costumam ser singelos e cheios de ternura. ^^"
      O Hans é um personagem um tanto controverso... Às vezes você vai quase gostar dele, depois vai odiar de novo.

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