11.2.18

Red District This Side of the Moon 33 por C.C & Mel Kiryu


 Prólogo - Dilemas de um ex-mafioso por C.C

        A chuva caía preguiçosamente cobrindo o veiculo com gotículas que pareciam pérolas espelhando a luz dos candeeiros de rua. Faltavam poucas horas para o amanhecer mas não quis deixar a assunto para o dia seguinte. Ren dormia esticado nos bancos traseiros enquanto o telemóvel de Watari vibrava a cada minuto.
           A visita inesperada ao Host deixara-o intrigado. Em primeiro lugar não percebia porque haveriam de invadir o espaço se já andavam a vigiá-lo, aquela demonstração ridícula de poder não fazia sentido. Logo, sem dar nas vistas, fôra espreitar em alguns cantos mais sombrios tentando encontrar respostas para as suas desconfianças.

          A primeira mensagem que recebera indicava a que grupo pertenciam os quatro indivíduos que entraram no clube. Não era um grupo de grande relevo mas máfia seria sempre máfia, com grande ou pequeno nome. O que mais o surpreendera fôra a última mensagem que recebera. Tudo não passara de uma coincidência, Quem o seguia nada tinha a ver com os quatro retardados, e mesmo não acreditando em coincidências aquela fazia todo o sentido.
        Uma nova mensagem e mais uma peça que se encaixava no puzzle. Já ouvira as noticias sobre a morte do dono da sex shop que mais tarde viera a descobrir que era o segundo elemento envolvido na violação do michê e que Master andava à procura. Ao inicio não dera importância ao sucedido, afinal pessoas daquele tipo estavam muitas das vezes envolvidos com quem não deviam acabando por ser alvos de ajustes de contas, mas agora que se via vigiado e seguido e soubera que alguém andara a mexer os cordelinhos por trás dos seus informantes em relação ao que acontecera nas docas o seu instinto dizia-lhe que isto ia para lá do interesse por uma simples recompensa.
         Mesmo sem ter certezas decidiu enviar uma mensagem para o Master deixando-o a par das suas descobertas. Ou muito se enganava ou tinha ficado preso numa teia bem maior do que julgara.
         Uma batida no vidro fá-lo desligar o telemóvel e descê-lo. Não estava ali parado só à espera que nascesse o dia, era um dos pontos de encontro que tinha com o seu informador e espião mais fiel.           Desde que se vira a ser seguido que lhe pedira que descobrisse quem é que estava por trás da ordem.
- Yo! Meu, foi super dificil conseguir isto. Vais ter de dobrar a parada ou então nada feito. Até no esgoto tive de me enfiar para não ser apanhado. E que tal dares-me o número de umas clientes peitudas das tuas?
Um cascudo é acertado na cabeça coberta por um gorro.
- Cala-te pirralho pervertido. Dá-me o envelope.
- Meu, isto é violência infantil!
O rapaz, que não parecia ter mais de doze anos, coçava a cabeça dolorida lacrimejando e entregando o envelope.
- Aqui tens o dinheiro. Vê lá o que é que fazes, não te esqueças dos teus irmãos Kaito.
- Tu é que devias ter cuidado mano, esses tipos com quem te estás a meter são fogo. E isto vai dar para termos de comer por muito tempo. Já sabes, quando precisares conta com o Kaito-sama. Agora fui!
      E a criança corre pela rua escura e chuvosa. Kaito era um dos muitos órfãos que rondavam aquelas ruas. Watari conhecera-o quando o rapaz lhe tentara roubar a carteira no meio da rua, ainda pertencia à máfia. Quando descobriu que para além dele haviam outros dois irmãos mais novos quis ajudá-los mas eles recusaram-se a ir para uma instituição. Sabia que a solução não fôra a melhor nem a mais correta mas sem poder ficar indiferente decidiu oferecer-lhe trabalho como informador pagando-lhe para os ajudar a ter uma vida mais decente. Uma criança não levantava suspeitas e órfãos a vaguear é o que havia mais ali, isso e os truques que o rapaz já conhecia da vida como ladrão transformavam-no no espião perfeito e insuspeito.
Abriu o envelope húmido após fechar a janela do carro. Um só fotografia encontrava-se no seu interior mas não precisava de mais. Nunca estivera frente a frente com ele mas isso não significava que não soubesse o seu nome e o problema que isso representava. Ao lado de um dos homens que o andava a vigiar a pessoa fotografada fazia o sangue de Watari gelar.
- Akane Hagane. Merda.

Capitulo 33

         Ignorei a mensagem que recebera de Watari. Naquele instante não me apetecia preocupar com mais nada.
        Entrei na casa de campo batiam as quatro da manhã. Como era de esperar Lawrence estava a dormir. Não queria incomodá-lo por isso decidi ficar pela sala deixando-me cair pesadamente no sofá. Os problemas desse dia como pedras a pesar na minha cabeça. Em poucos segundos adormeci.
Acordei sobressaltado após ter mais um sonho com os meus dias na Houkan House. Fazia algum tempo que não sonhava com isso mas com o stress que andava a sofrer as más memórias tinham tendência a regressar.
       Esfreguei os olhos bocejando. Doia-me as costas dado a posição desconfortável em que adormecera mas os meus pensamentos pareciam ter ficado mais limpos. Pelo menos tomara uma decisão em relação a Lawrence. Não podia continuar a ser evasivo com as minhas palavras e ações, tinha de ser direto e sincero ou ele nunca entenderia o que eu sentia. Se ele queria ser útil para mim eu dar-lhe-ia essa oportunidade.
          Levantei-me conferindo as horas. Ainda era cedo por isso o rapaz deveria estar a dormir. Tomaria um banho e depois iria acordá-lo.
       Dirigi-me à casa de banho meio ensonado e fosse por estar habituado a viver sozinho ou por simples desleixo nem me lembrei de bater à porta antes de entrar, caso o outro habitante já tivesse acordado. Pois tal não era a coincidência assim que abri a porta dei de caras não só com Lawrence mas com ele completamente nu. Em meio ao sono, choque ou o raio que fosse, nem sabia para onde desviar o olhar. Estava dividido entre o corpo esbelto, molhado acabado de sair do banho e a ferida exposta sem sinal do curativo.
- M-Master...
        Ao aperceber-se da minha presença ele vira-se quase gaguejando o meu nome, agarrando mais que depressa numa yukata pendurada no suporte das toalhas e vestindo-a atrapalhadamente dando-me novamente as costas. Podia ver-lhe o rubor que cobria toda a sua face das orelhas ao pescoço. Nem sabia como é que alguém podia ficar tão vermelho.
- Desculpa. Eu...pensei que estivesses ainda a dormir e... Desculpa.
        Quem começara a gaguejar era eu. O cabelo comprido pingava-lhe água para o tecido da yukata e mesmo tendo consciência que o mais acertado seria sair dali os meus pés pareciam pregados ao chão.
- A culpa foi minha... - Lawrence retruca desconcertado. - Eu não estou acostumado a fechar portas por causa... Você sabe... A rotina na Houkan House...
Acenei afirmativamente sem ter a certeza se ele tinha visto o gesto.
- Porque é que tiraste o penso? - Queria que a minha voz soasse repreensiva mas acabou por soar como uma pergunta envergonhada já que ao lembrar-me da falta da ligadura lembrava-me de todo o resto.
        Ele inspira profundamente e vira-se segurando a yukata afim de a manter fechada, o olhar em mim engolindo a seco e o rubor ainda presente:
- Eu só queria muito tomar banho de corpo inteiro, porque... Ontem fui até à aldeia de agricultores aqui na região, cheguei suado... Tentei me banhar sem molhar as costas e fiquei com a sensação de que ainda estava sujo... Não queria que me visse assim.
        Não estava chateado por saber que ele fôra até à aldeia, na verdade ficava feliz em saber que ele tinha interesse em saber o que se passava lá fora. O que me incomodava era ele não respeitar os meus pedidos para que repousasse. Eu sabia que devia ser complicado ficar ali o dia inteiro sozinho mas se ele continuasse a esforçar-se assim a ferida nunca mais iria sarar.
      Peguei uma toalha e aproximei-me colocando-a sobre a sua cabeça e começando a enxugar-lhe o cabelo.
- Tens de te secar em condições ou podes apanhar um resfriado. Veste-te para eu poder fazer-te um curativo novo. Depois vamos tomar o pequeno almoço e o resto fica por tua conta. Hoje vamos fazer o que tu quiseres.

      Sorri e abandonei a divisão. Podia estar a precipitar-me mas se calhar estava na altura de ambos sermos sinceros.

2 comentários:

  1. boa noite Mel roendo as unhas esperando master e law

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    1. Boa noite, Dineia. Amanhã dou um jeitinho de postar Red District, ok? ^^" Obrigada por ler e apreciar. :)

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