25.3.18

Red District This Side of the Moon 39 por C.C & Mel Kiryu


Prólogo por C.C

        Não significava nada que tivesse deixado aquele lugar. Sete anos na minha vida e memória seriam sete anos também na memória dos outros. Assim que me vira fora do prostíbulo a primeira coisa que fiz foi cortar o cabelo que para além de longo se destacava pela cor e era a imagem de marca do michê Akatsuki. Queria deixar tudo isso para trás mas mesmo curto este maldito cabelo não parava de arrastar consigo tudo o que eu queria esquecer.

Foi então, numa das idas para casa após a universidade que presenciei uma cena que madaria isso. À porta de um salão de cabeleireiro um rapaz de longos cabelos rosa parecia estar a ser expulso do local. Um homem de meia idade discutia com ele enquanto lhe atirava o que eu entendi serem tesouras, pentes e outros objetos que serviriam para cuidar do cabelo. Não ouvi com clareza o conteúdo da conversa mas quando vi o homem a levantar a mão na direção do rapaz intervi colocando-me entre eles e levando o golpe em cheio na cara. O olhar nervoso e apavorado do homem fê-lo entrar de volta no estabelecimento sem ao menos um único pedido de desculpa. Por outro lado o rapaz nem sabia por onde começar a falar:
- Oh meu Deus, desculpa. Nem sei porque te meteste, mas desculpa. E obrigado, mesmo. O que é que eu posso fazer para te agradecer?
- És cabeleireiro?
- Era, querido. Acabei de ser despedido porque uma das clientes mais prestigiadas disse que preferia ser penteada por mim em vez de pelo chefe.
Um sorriso triste formou-se nos seus lábios ao apanhar os utensilios espalhados pelo chão.
- Então estás desempregado?
- É o que parece...
- Gostaria de trabalhar como host?
- O quê? Eu? Não posso aceitar. Salvaste-me e agora estás a oferecer-me trabalho? Não posso aceitar. Nem nos conhecemos, meu anjo.
- Claro que podes. E se quiseres agradecer-me há uma coisa que podes fazer por mim... - Reparei que a bata que trazia vestida com o logotipo do salão tinha um nome bordado. - Shuu, faz desaparecer este vermelho.

                                                                      Capitulo 39

Foi impossível conter um suspiro quando entrei no escritório e vi o monte de papelada que tinha em cima da secretária. Só tinha faltado um dia e já parecia que passara ali um vendaval. A maioria dos papéis eram faturas e notas de entregas para além de fichas de contabilidade e outras coisas que, basicamente, envolviam dinheiro. Eu chegara a pedir ao Haru que me ajudasse com tudo aquilo mas mais uma vez percebia porque é que o único que o conseguia aturar era o Natori quando me respondeu, "o dinheiro é teu, gere-o tu". De que é que me adiantava ter um secretário se ele só servia para despejar as folhas na minha mesa e chatear-me o juízo.
Como se adivinhasse que estava a pensar mal dele, entrou disparado sentando-se na cadeira de frente a mim. Olhei o relógio vendo que ainda era cedo e desconfiando da sua aparição antes do tempo. Fui interrompido ainda nem tinha aberto a boca.
- Conta-me tudo, agora. Andas a fugir-me mas eu quero saber de tudo. Incluindo os pormenores impróprios, especialmente esses.
Franzi a testa rubricando mais uma folha:
- Do que é que estás a falar?
- Não sejas fingido. Levaste o garoto da minha casa e escondeste-o só para ti. E que tal, é bom na cama? Deve ser uma loucura com dois profissionais do sexo. Ex-profissionais.
- Haru, por favor. Não aconteceu nada do que estás para aí a imaginar.
- Estás a gozar, certo? - Os olhos azuis encaravam-me incrédulos. - Vocês estão os dois sozinhos numa casa. Por acaso és algum padre a proteger a tua castidade ou és mesmo impotente?
Nem me dignei a responder.
- A dar-me o tratamento da ignorância? És mesmo cabrão, Master.
E amuou. Sim, um homem de vinte e oito anos, numa relação e vida estáveis acabava de amuar pura e simplesmente porque eu me recusava a contar-lhe o que se passava e em que ponto ia a minha vida amorosa e sexual com Lawrence. Às vezes dava por mim a pensar onde é que fôra arranjar este tipo de amigo. De qualquer forma não pude evitar uma gargalhada com as expressões que ele fazia.
- Isso, ri-te! Há-des cá vir pedir mais favores para depois veres quem é que se ri.
- A sério Haru. Não aconteceu nada disso. Estamos a ir com calma e a conhecermo-nos melhor.
O seu semblante tornou-se sério enquanto tentava descortinar os meus objetivos. Assim que tivera a aceitação de Lawrence de vir trabalhar para o Paradise fiz questão de avisar o Haru para ir preparando terreno entre os rapazes que na maioria se encontravam ansiosos e curiosos para ter um novo companheiro que trouxesse um pouco de adrenalina com a sua presença. Ele continuava a achar que era louco por querer meter o rapaz mesmo ao lado da toca do lobo mas no fundo sabia que estava tão entusiasmado com a ideia quanto os outros. Era a sua maneira de se fazer de difícil.
- A tua pele está brilhante e estás mais relaxado por isso alguma coisa aconteceu sim! Mas não vou insistir se não queres contar, porque sou um amigo super compreensivo. E fofinho.
- Sim és, o melhor amigo do mundo.
Ambos sorrimos antes de se ouvir uma batida na porta. Pedi que entrasse e logo as madeixas cor de rosa se fizeram notar.
- Olá queridos. Tinhas perguntado por mim, Master?
Haru despediu-se, fazendo questão de recordar que a conversa não tinha acabado, cedendo o lugar ao rapaz que acabara de entrar que por sua vez escolheu sentar-se no sofá:
- E então, do que se trata?
Aproveitei a sua presença para me espreguiçar e alongar um pouco os músculos sentindo meia dúzia de câimbras.
- Shuu, ainda continuas a fazer trabalhos como cabeleireiro?
- Para além de pintar o teu cabelo? - acenti perante o olharr estreito que me lançava. - Porque perguntas?
- Tenho um favor a pedir-te.
Ele levou uma mecha do seu cabelo comprido, cor de flor de cerejeira, atrás da orelha com um sorriso que meteria inveja a muitos modelos e atores. Essa era apenas uma das qualidades que faziam dele o host número três do Paradise Host Club.
- Claro meu anjo. Sou todo ouvidos. Os teus desejos são ordens.
- Sei que posso confiar nos teus gostos e habilidade por isso deixo tudo nas tuas mãos. Quero que trates da mudança de visual do nosso novo membro.
                                                                       ***
As coisas pareciam ter acalmado e voltado ligeiramente ao normal. A falta de informação e novidades sobre o michê desaparecido começava a desmotivar grande parte dos interesseiros que andavam apenas em busca de dinheiro fácil. Havia até rumores recentes que colocavam a hipótese do rapaz ter conseguido fugir para o estrangeiro. Podia parecer cruel da minha parte, mas quase que eu dava um dedo só para poder ser mosca e ver como estavam as coisas na Houkan House e em especial a cara da Okaasan. Só de pensar já achava hilariante.
A musica acabava de tocar com o som dos aplausos a tomar o seu lugar após mais uma performance extraordinário dos rapazes. Olhando agora para tudo o que eu construira só podia chegar a uma conclusão, estava orgulhoso. Não só de mim, mas de todos nós.

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