8.4.18

Red District This Side of the Moon 41 por C.C & Mel Kiryu


Prólogo por C.C- Paixão pelo desenho

A música que tocava no telemóvel distraía-o da paisagem em redor como era costume. Os seus pés caminhavam sabendo o percurso de cor. Afinal todos os dias era o mesmo.
Desde cedo que descobrira o gosto pelo desenho mas quando se vira envolvido com a máfia esse sonho passara para segundo plano. Passados quase dois meses de ter começado a trabalhar no Host Club, enquanto vagueava pelas ruas como naquele instante, encontrara um velho colega de escola que antes partilhara o mesmo gosto pela arte do desenho. Conversaram e Watari descobriu que para além de ter levado a sonho adiante o amigo fôra ainda mais longe. Especializara-se na arte de desenhar o corpo e abrira uma loja de tatuagens.

A curiosidade falou mais alto e cedeu ao convite para vistar a loja que ficava numa cave de um dos prédios comerciais na entrada do Red Distrit. Não precisou de mais de cinco minutos para perceber como aquele lugar lhe trazia uma sensação de conforto. Os desenhos colados nas paredes, o cheiro a tinta, era como um mar de cores que o inundava numa mistura de sensações. Mas pondo de parte todos esses pormenores o que o seu instinto lhe dizia era que ele pertencia ali. E como se o seu amigo lhe lesse a mente perguntou se não estaria interessado em desenhar para a loja. Claro que antes de aceitar falara com Master e pedira a sua permissão. No final ficara lá até aos dias de hoje.
- Yo Yuri-chan!
Yuri. Sempre que ouvia esse nome não conseguia evitar relembrar o seu passado, mesmo assim insistiam em chamar-lhe assim e por um lado isso trazia-lhe um estranho sentimento familiar.

                                                           Capitulo 41

Apesar do excesso de papelada e de ser solicitado para ver algumas clientes consegui sair do clube beirava a uma da manhã. Tinha esperança que Lawrence ainda estivesse acordado e que podessemos trocar algumas palavras já que quando me ausentara de manhã ele dormia e no dia anterior adormecera quase assim que chegamos a casa. Só esperava que o clima entre nós não ficasse estranho depois do que acontecera na queda de água. Na verdade nem eu me tinha dado conta do quanto aquela situação poderia influenciar a nossa relação. Mas no momento, com o instinto a falar mais alto, pareceu tão certo o que estava a acontecer que me deixei levar por completo. Não estava arrependido, muito pelo contrário, mas não sabia como é que o rapaz iria reagir agora na minha presença.
Cheguei à casa de campo estacionando o carro e reparei que não havia uma única luz acesa. O meu primeiro pensamento foi que talvez Lawrence já estivesse a dormir mas quando entrei no quarto que costumávamos usar encontrei-o vazio. Achei estranho e um sentimento de desconfiança e alerta acendeu-se no meu peito. Procurei na sala, cozinha, casa de banho e nada. Percorria o corredor quase em pânico quando me deparei com a porta do quarto dos meus pais entreaberta. Abri-a acendendo a luz e finalmente pude vê-lo. Encontrava-se a um canto sentado no chão, encostado à cama e abraçando os joelhos. O rosto cabisbaixo escondido entre eles.
Aproximei-me pousando a mão na sua cabeça e sussurrei o seu nome. Ele ergueu-a devagar, apertando um lábio no outro mas não disse nada.
A primeira coisa que me apercebi foi as roupas sujas de terra e depois o pequeno arranhão na sua face. No inicio, e porque não queria acreditar que algo realmente acontecera, pus a hipótese dele ter ido passear ao bosque e cair mas se fosse esse o caso ele não estaria tão triste. Engolindo tudo o que se acumulava em mim perguntei com uma voz calma e gentil passando o dedo no corte:
- O que é que aconteceu?
- Eu caí... Levei um tombo na trilha que vai para a aldeia.
Observei-o com atenção vendo que não me olhava diretamente e desviava o olhar sempre que os meus olhos encontravam os dele. Definitivamente tinha acontecido alguma coisa mais grave e ele não queria contar.
- Podias ter trocado de roupa. Porque é que vieste para aqui?
- Se eu te contar a razão... Sei que vai ficar zangado comigo.
Sentei-me ao seu lado desapertando os botões do blaser e encostei a cabeça no ombro dele. Queria transmitir-lhe confiança mas não sabia como.
- Não vou. Só estou preocupado contigo.
- Vim para cá por queria me sentir seguro... Eu tinha medo que me levassem para longe de você.
Sim, agora tinha mesmo a certeza que se passara algo. Não queria pressioná-lo mas dentro de mim uma força que eu desconhecia estava prestes a revelar-se e a fazer o que fosse preciso para proteger aquele rapaz. De qualquer maneira tinha de saber primeiro o que realmente acontecera.
- Quem é que te iria levar?
Ouvi um suspiro vindo dele, hesitante em certo modo.
- Saí para caminhar no campo... E quando voltei vi um carro próximo a casa, achei que pudesse ser você...
Mexi-me desconfortável com o rumo da conversa, uma raiva crescente a formar-se no meu âmago e um único pensamento.
"Descobriram-nos. Precisamos de sair daqui."
Mas então a razão chamou-me de volta apoiada pelo calor que eu sentia vindo do corpo de Lawrence. Se tinham descoberto o seu paradeiro como é que ele continuava aqui?
- E depois?
- Era o Hagane... Ele era meu cliente na Houkan House.
Merda. Então o Watari tinha razão. Fui descuidado e aquele maldito mafioso descobriu o Lawrence. Pensei em levantar-me, fazer as malas e fugirmos para o outro lado do mundo mas de repente a imagem do corte trespassou a minha mente e desta vez não consegui controlar o ódio na minha voz:
- Ele magoou-te? - Levantei a cabeça olhando-o nos olhos.
Voltou a desviar o olhar:
- Ele queria me levar embora do Japão... Eu fugi e ele me perseguiu, por isso feri o rosto.
Parece que homens apaixonados têm ideias semelhantes. Mesmo assim era impossivel impedir a minha raiva misturada ao ciúme de borbulhar como em uma panela em vias de entornar. Respirei fundo.
- Lawrence se não te sentires mais seguro aqui eu compreendo. Falhei em proteger-te.
Num movimento rápido ele coloca-se à minha frente, abandonando o medo anterior, apoiando as mãos trémulas nos meus ombros:
- Mas o que aconteceu não foi culpa sua!...Fui eu que o deixei enfurecido ao dizer que não iria com ele! Disse com todas as letras que sou completamente doido por você... Cheguei mesmo a pensar que ele fosse me matar... Todo meu desespero se baseou no fato de nunca mais estar contigo... Então, não diz isso para mim...
Abracei-o com força puxando-o contra o meu corpo. O tom suplicante do seu discurso soou como a confissão mais sincera que eu já ouvira. E dava-me conta que não podia perder esta pessoa para ninguém. Faria-o meu fosse como fosse nem que tivesse de lutar contra o próprio mundo.
- Nem sabes como fico feliz de ouvir isso mas por favor não voltes a cometer uma loucura dessas. Preferia ver-te ser levado por outro homem e ir atrás de ti  para te resgatar do que morto. Lawrence, neste momento tu és tudo para mim.
Lawrence acaricia o meu rosto devagar beijando-me o canto da boca ao de leve. Um verde consternado encarando-me seriamente:
- Master... Por que não me contou sobre a recompensa oferecida pela Houkan House? Eu preferia ter descoberto isso por você...
Escondi o rosto no seu peito dando-me a possibilidade de poder demonstrar um pouco da minha fragilidade e incerteza.
- Tive receio que achasses que só te tinha ajudado pelo dinheiro. No inicio estavas tão incerto sobre as minhas razões...
- Quer dizer que...Ainda não estava certo se gostava de mim?
- Tu não estavas certo se eu gostava de ti.
- Isso porque... Seria muito triste se você não gostasse... Seria muito precipitado dizer que eu sinto amor por você? - Lawrence põe uma mecha de cabelo atrás da orelha. - É desse jeito que eu sinto... Desculpe, se pareço um garoto sem noção...
Apertei-o com mais força sorrindo contra a camisola a cheirar a terra.
- Sim, és um garoto sem noção. Pois não fazes ideia de como as tuas palavras me afetam.

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