8.4.18

Red District This Side of the Moon 42 por C.C & Mel

                                               


                                              Prólogo por Mel Kiryu – A Desilusão e o Desconstruir


              Estava no caminho do Renta Cars, indo devolver o SUV.
              Ao contrário do que costumava ser, Hagane é quem atendeu seu telefone móvel em dois toques e ouviu a voz de seu informante Genzo.
           Naquele instante estava saindo do Starbucks, nada como afogar as mágoas em café gelado.
__Sou eu, Hagane... E aí? Já voltou daquele fim de mundo?
    Estava caminhando calmamente até o estacionamento, mas a calma era só aparente. Hagane praticamente bufou antes de responder.
__Só me ligou para perguntar isso?__Sua voz soou tão atravessada quanto mordaz.__ Porra, Genzo!...
__Ãhn?... Mas, o que foi que eu disse de errado?__ Genzou inqueriu, coçando a cabeça de seu lado da linha.__ Você não ia até aquela casa de campo? Vê se não me confunde, homem!
     Hagane sentia a cabeça latejar, a voz rouca de fumante de seu informante somente agravava sua ausência de humor.

__Genzo, esqueça tudo o que investigamos nos últimos dias, ABSOLUTAMENTE tudo.__ Hagane ordenou, frio e incisivo.__ Apenas esqueça!
__Mas... Que raio...!__ Genzo vociferou, incrédulo.__ Hagane!
__Destrua todas as informações, queime tudo.
__Ei! Mas, o que você não quer me contar?...__ O falar de Genzo era frenético.__ Porra, Hagane!
__Faça o que eu disse... Ou vou aí pessoalmente te meter uma bala.
     Genzou ouviu as palavras de Hagane saírem raivosas e entre dentes e engoliu à seco sabendo do  que ele era capaz. Pretendia aquiescer e dizer algo mais, mas a ligação foi encerrada por Hagane, antes de qualquer coisa.
      Deslizou o celular para dentro do bolso na lateral do sobretudo e foi uma questão de três passos até entrar dentro do SUV.
     Não deu a partida de imediato no carro, Hagane debruçou-se sobre o volante a mirar-se de má vontade pelo vidro fumê, o panorama pouco importava.
     Em sua mente, ainda estava preso ao seu último instante vivido com Lawrence.
     A pergunta que fazia a si mesmo era a seguinte:
              "Por que não atirei nele? Lawrence merece morrer."
           Matar costumava ser tão fácil para Akane Hagane.
        Nunca ficara tão arrependido por desviar o curso de uma bala.
        Permitir que Lawrence continuasse a viver apenas reafirmava seu fracasso.
        Tanto esforço, tanta devoção, uma paixão cuidadosamente alimentada para nada.
        Sorriu a metade de um sorriso maldoso para si mesmo, devia era entrega-lo para a Houkan House... Mas, fazê-lo era o mesmo que se rebaixar. Seria só mais uma vingança mesquinha para compensar sua esmagadora frustração.
       Levar Lawrence de volta para o inferno da vida de michê, não apagaria da alma dele o afeto que sentia por outro homem.
       Já que não podia voltar no tempo e impedir a si mesmo de desviar a mira de sua arma, alguma coisa tinha que fazer para não se sentir um completo perdedor...
       Decidiu entregar o SUV e pagar por um quarto de hotel, no dia seguinte, já tinha uma vaga ideia do que faria.
      Não que fosse grande coisa, nunca havia se sentido tão perdido.
      Se tivesse tomado um tiro, seria algo bem mais fácil de lidar.
                                                               
                                                           ******************

                                                         Capítulo 42

           Observar o carro de Hagane partindo e vislumbrar a paisagem local quase tão bucólica como de costume, de modo algum deixa-me tranquilo.
       Pensamentos horríveis assolavam minha mente, o momento anterior ainda se repetia em mim e eu passei o resto daquele dia perturbado e sem apetite, sentindo um persistente temor.
      Quando anoiteceu fiquei ainda pior, o estrondo do tiro da arma de Hagane ressoava como uma reprise medonha e ocorreu-me que ele poderia voltar para acertar suas contas e meter o tiro que ficou me devendo.
      Desde que eu fugira da Houkan House, o cair da noite me deprimia e nessa ocasião, juntou-se o medo e a paranoia. Apaguei todas as luzes, a porta trancada e as janelas fechadas e fiquei oculto na penumbra de um quarto que nunca tinha entrado, ou ao menos... Tinha-o visto rapidamente em qualquer outro momento.
     Fiquei sentado no chão, não sabia ao certo onde eu poderia encontrar roupas para trocar, então fiquei vestido com as peças que trajava desde cedo, sujas de medo e terra. Havia tão somente lavado o rosto e o cabelo... Sei que cheguei a cochilar ali, escondido.
       Quando Master finalmente chegou, nem dei conta do fato.
       Devia ser bem tarde, eu imagino... Claro que meu estado de espírito, o corte em meu rosto e minhas roupas sujas de terra não seriam ignoradas por ele. Tive receio de contar a verdade, mas de todo jeito, eu não tinha intenção de mentir para o Master... Tentei ser evasivo e isso bastou para acabar contando o que acontecera de forma resumida.
     Resumido ou não, o acontecido fez com que Master revelasse uma gama de sentimentos repleto de altos e baixos, partindo da gentileza de sua voz, a preocupação em seus gestos, a proximidade de seu corpo ao passo que sua cabeça se apoiava em meu ombro... Seguido por uma mistura de raiva e ciúme.
    Contudo, foi a primeira vez que Master mostrou sua fragilidade para mim, escondendo-se, abrigando-se contra meu corpo.
    Não somente em sua voz que quase assumiu um estranho tom de derrota, mas no seu trejeito ao me prender num abraço... Desprotegido, ainda que firme feito cadeado.
               Os espaços vazios entre nós dois estavam se desfazendo pouco-a-pouco.
                 E foi a primeira vez que disse em voz alta que sentia amor por ele.
                      Até mesmo o amor é um sentimento tão difícil de guardar, seria insuportável se eu o sentisse sozinho.

                                                        ***********
                Não demoramos a deitar juntos na cama do quarto de hóspedes, foi logo depois de Master conseguir algumas roupas que eu pudesse vestir, fizemos um pequeno lanche juntos na cozinha e escovamos os dentes.
     Nós dois estávamos cansados, nem vi quem dormiu primeiro. No entanto, opostamente a outras noites que passamos naquela casa, tive um sono agitado e povoado de sonhos confusos. Senti que virei em demasia na cama e no fim estava a me sentir culpado por incomodar Master com minha inquietude.
     Em parte, reconheço que dormira mal porque me preocupava trabalhar no Host Club.
    Não tão somente por ser quase em frente a Houkan House, mas como tudo seria daqui em diante? Eu realmente seria aceito pelos homens que trabalhavam para o Master? Eu poderia ser visto como um perigo, porque era fugitivo e eu não poderia culpa-los se alguém me desprezasse por essa razão.
     Claro que eu não comentei nada disso com Master.
    Não acordamos tarde no dia seguinte, quase não consegui dizer nada por causa do meu nervosismo. Tomamos o asagohan juntos, coloquei meus pés sobre as pernas de Master sob a mesa e ele somente riu, quando estávamos terminado de comer fez um carinho no meu pé e disse que iríamos sair logo depois.
      Dentro do carro, tentei pensar em outras coisas, os dias vividos na casa de campo que naquele momento ficava para trás. Por conta disso, senti um aperto no coração.
    E enquanto o Master ouvia música no rádio do carro, resolvi desviar meus pensamentos por completo do que chegava a ser para mim um verdadeiro motivo de angústia.
    Andava a olhar pela janela entreaberta do carro e foi assim que comecei a nossa conversa.
__Master, andei pensando... Aquele momento de intimidade amorosa que tivemos na cachoeira, te dá direito a perguntar algo que queira saber ao meu respeito.__ E sentindo a brisa entrar pela janela entreaberta do carro, indaguei:__ O que você quer saber sobre mim?
     O que eu disse pareceu surpreender ou desconcertar Master, que até desviou os olhos da estrada por um momento para pousa-los em mim.
__Não sei... Não estava à espera de uma pergunta dessas. Conta-me o que quiseres, ficarei feliz com qualquer coisa que me contes sobre ti.
__Hum... Se eu te contar o meu nome verdadeiro... Você me diz o seu?__ Perguntei suave e sugestivo.
    Master de repente olhou quase demoradamente para mim, quase saímos da estrada.
__Desculpa... O  teu nome... Contas-me mesmo?
__Pensa bem... Se fôssemos dois estranhos flertando num ponto de ônibus... Não iria querer saber o nome dessa pessoa que desperta de um jeito profundo a sua atenção?__ Divaguei mais uma vez dando uma olhadela pela janela.__ Não gosto do meu nome... Na verdade, o detesto... Mas, acho que você tem todo direito de saber.
__Sim, tens razão. Pessoalmente estou tão habituado que me deem outros nomes que por vezes já nem sei quem sou.
__Eu também me sinto assim... Mas, ainda que seja meu nome de michê, gosto de ser o seu Lawrence. Se eu te contar o meu nome de batismo... Promete continuar me chamar por Lawrence?
__Se te sentes mais confortável serás sempre o meu Lawrence. Mas não te esqueças que em breve serás como eu.
__Como você?...__ Olhei para Master, sem entender e o fiz vagamente.
    E ele sorri diante da minha pequena confusão.
__Com três nomes. O do batismo, o de michê e o de host.
    Ouvi a palavra host e juro que senti um arrepio, eu não queria que o Master percebesse que a ideia de ser um hoster, ou coisa que o valha, deixa-me pouquíssimo a vontade.
__Então... Vamos por parte... Direi a você meu nome verdadeiro e mais tarde, decido que nome usarei no Host.__ Sugeri a mordiscar ansioso o próprio lábio inferior.__ Pode ser?
__Claro. É como desejares.
    Era estranho precisar de coragem para pronunciar meu próprio nome em voz alta, parecia que eu estava entoando uma maldição. Não olhei mais pela janela, menos ainda para o Master, encarei minhas mãos jogadas e tensas sobre meu colo.
      Há três anos eu não pronunciava meu próprio nome.
__Hirano é sobrenome que herdei da minha mãe... Meu primeiro nome é Amai.
    Master tirou uma de suas mãos do volante e tocou amoroso a minha, eu não esperava por algo assim.
__Não sei porque o odeias, mas fica-te muito bem. Um dia quando ultrapassares as tuas desavenças com o passado gostaria de te chamar por ele.
     Fui fulminado por uma vontade desprezível de chorar, aliás, vontade que tratei de estrangular ficando um momento em silêncio, porque eu não conseguia ver-me resolvido com o passado.    __E então, Master? Não vai me contar qual é o seu nome real?...
__Não é nada de especial, e nunca fiz questão de o esconder. Apenas começaram a tratar-me por Master e a moda pegou. O meu nome é Aizawa, do lado do meu pai. O meu primeiro nome é Takao.
__Aizawa Takao...__ Pronunciei, querendo sentir o nome entre os lábios, soando com minha voz.__ Vai rir de mim... Mas, você tem mesmo cara de Master.
                  Master soltou realmente uma gargalhada. 
__A minha mãe queria meter-me Ouji, por isso fico contente com o Takao. Quem diria que uma das piadas do Haru me ficaria tão bem.
__Ouji não é assim tão mal...__ Acabei por rir junto com ele.
    Mas, a menção de Haru só fez com que eu pensasse mais naquilo que estava tentando evitar. O riso secou abrupto na minha garganta quando lancei um olhar vago pela paisagem que mudava constante pelo vidro do carro.
__Master... O que vai acontecer quando eu entrar no Paradise?
    Sua voz soou séria e olhei para ele, engolindo à seco:
__Realmente não sei. Pode acontecer de tudo...__ A expressão de Master tornou-se divertida, como mágica. __ Mas prepara-te para ser abraçado. Muito.
      Eu sorri, senti que era um sorriso trêmulo que a qualquer instante poderia se converter numa carranca triste.
      Apoiei meu cotovelo na porta e meu rosto tenso descansou na palma de minha mão, de modo que Master não pudesse olhar diretamente para ele caso tentasse.
      De resto, meus pés estavam gelados de receio dentro de meus tênis e se bem me lembro,  não consegui dizer mais nada durante o resto do caminho.

3 comentários:

  1. Me pergunto o que o Hagane vai fazer
    talvez tirar umas ferias relaxantes (duvido)

    quanto ao Lawrence acho que esta se preocupandl desnecessariamente
    vai ser bem acolhido no host ;)

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  2. Aaah, não, voltei a ter medo de Hagane. Não quero imaginar o que ela fará!

    Bem, comentando sobre o cap anterior, foi muito fofo e romântico <3 amei ver um pedacinho mais fragil do Master e Lawrence se declarando *-*
    Sempre quis saber o nome do Law, gostei de 'Amai'.
    Aaah e eu fico preocupada com a chegada ao Host tambem, mas é pelo fato de srr a frente da Houkan House. Isso é muito estranho...

    ResponderExcluir
  3. boa noite Mel lir os capicapít estao maravilhoso, ansiosa pra ler os outros. por favor posta logo pra mim deixar de roer as unhas

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